domingo, 2 de novembro de 2014

Androginia



Estão vendo essa foto aí acima? Que linda, não é? Só que é um homem. Vou citá-lo mais ao final do post.

Eu estava dando uma revisada na minha fic Segredos em que a Sakura é meio andrógina. Ainda não me decidi ainda se ela é mesmo andrógina ou se apenas está fingindo ser... então, resolvi fazer uma rápida pesquisa sobre a história da Androginia, tanto por curiosidade, quanto pela informação mesmo, para melhor escrever a fic.

De acordo com o wikipedia, androginia refere-se a dois conceitos: a mistura de características femininas e masculinas em um único ser, e a algo que não é nem masculino nem feminino.

Andrógino é a pessoa que se sente com uma combinação de características culturais quer masculinas (andro) quer femininas (gyne). Isto quer dizer que uma pessoa andrógina identifica-se e define-se como tendo níveis variáveis de sentimentos e traços comportamentais que são quer masculinos quer femininos.

Andrógino é, também, segundo o livro "O Banquete", de Platão, uma criatura mítica próto-humana.
"Seres esféricos, fortes, vigorosos, tentam galgar o Olimpo, a montanha sagrada onde moram os deuses gregos. Querem o poder. Possuem os dois sexos ao mesmo tempo, quatro mãos, quatro pernas e duas faces idênticas, opostas. Diante do perigo, o chefe de todos os deuses, Zeus, decide cortar ao meio os andróginos (do grego andrós, aquele que fecunda, o macho, o homem viril; e guynaikós, mulher, fêmea). “Sede humildes”, podemos supor que trovejou o grande deus, arremetendo os raios que apavoraram os tempos anteriores à descoberta do fogo. Ao enfraquecer o homem e a mulher, assim criados, Zeus condenou cada metade a buscar a outra, o desejo extremo de reunir-se e curar a angustiada e ferida natureza humana." trecho retirado do livro, segundo o site da Superinteressante.
No livro, de acordo com o Wikipedia, Aristófanes descreve como haveria surgido os diferentes sexos. Havia três seres: Andros, Gynos e Androgynos, sendo Andros entidade masculina composta de oito membros e duas cabeças, ambas masculinas; Gynos entidade feminina, mas com características semelhantes; e Androgynos composto por metade masculina, metade feminina. Eles não estavam agradando os deuses, e por isso eles resolveram separá-los para que se tornassem menos poderosos. Separando Andros, originaram-se dois homens, que apesar de terem seus corpos agora separados, tinham suas almas ligadas, por isso ainda eram atraídos um pelo outro. O mesmo ocorre com os outros dois. Assim, Andros deu origem aos homens homossexuais, Gynos às mulheres homossexuais e Androgynos aos heterossexuais. Segundo Aristófanes, seriam então divididos aos terços os heterossexuais e homossexuais.



Esta imagem é uma representação medieval do que seria uma pessoa andrógina, retirada do livro Crônica de Nuremberg, publicado em latim, no ano de 1493.

Agora voltando um pouco para a atualidade, pode parecer que a androginia esteja "em alta", mas ela sempre existiu da mesma forma. O que acontece é que a mídia tem explorado mais, em especial o mercado da moda. Aquela página da revista Superinteressante, em que citei o trecho do livro, ainda traz o seguinte sobre isso:
"A empresária e especialista de moda, Costanza Pascolato há anos analisa a influência da androginia no estilismo. “A moda contemporânea não pára de brincar com as diferenças entre os gêneros. Com isso, expressamos nossas idéias mutantes sobre o que é ser homem ou mulher”, escreveu em 1988, num artigo de jornal. Hoje ela acrescenta: “Um ligeiro toque de ambiguidade aumenta o lado sensual das pessoas. O masculino e o feminino exagerados são menos sexy. Há uma qualidade misteriosa em Marlene Dietrich e Greta Garbo, que vem em parte da sugestão de virilidade lá no fundo de sua personalidade”."
Eu concordo com ela quando afirma o "misterioso" atrai mais, mas me pergunto se a questão da feminilidade ou masculinidade exagerada seja mesmo menos atraente. Para alguns, talvez. Mas a questão vai muito mais além da simples atração. É uma questão de identidade.

E a esse respeito, a página também traz uma análise mais profissional, no quesito psicológico da coisa, com depoimento de alguns psicólogos.  

"O problema está no risco de perder-se a nitidez dos gêneros pois, como analisa Renato Mezan (psicanalista brasileiro), as pessoas nesse caso aderem a modas em busca de orientação: “Em geral, as tendências são mais rigorosas do que as anteriores, gerando um espírito de gangue”. É o temor da antropóloga Cynthia Sarti, da Universidade de São Paulo: “Acho que existe alguma coisa perversa na androginia, pois faz supor algo que não é: impõe uma imagem sem sugerir nenhum novo masculino ou feminino. Nega as diferenças. Sinto a idéia como totalitária, e nada mais nocivo à humanidade do que posturas antidemocráticas.

Pode ser, mas convém lembrar que a intenção, por trás dos modismos em geral, e da androginia em particular agora, depende sempre do contexto social. Por exemplo, na Alemanha pré-nazista dos anos 20, os cabelos curtos usados pelas mulheres eram uma contestação ao ideal feminino pregado pelos nazistas, que pensavam nas mulheres como robustas valquírias de longos cabelos loiros, engomadas nas suas roupagens regionais, vivendo em regime de dedicação exclusiva aos três Ks: Kinder, Küche, Kirche (crianças, cozinha, igreja). Vestir-se como homem, pensar e agir como um marxista era ser mesmo muito do contra.
 [...]
A psicóloga Leniza Castello Branco, de São Paulo, completa e clarifica o raciocínio: “A mulher recupera seu lado masculino sem tornar-se lésbica, e o homem seu lado feminino sem tornar-se gay”. Para essa psicoterapeuta, a androginia traria um retorno do reprimido: o corpo, o sexo, a magia, o feminino. “Por causa do reprimido existe carnaval em todas as culturas”, explica. “Permite-se a vivência do contrário, a inversão. O pobre se veste de rico, o homem se veste de mulher, alguns se fantasiam de animais. O carnaval é a festa de Dioniso, o deus pagão que representava o campo, a fertilidade, o vinho. Ele nasceu da coxa de Zeus, um andrógino, pois gestou um filho.”"
Gosto muito mais da visão da Leniza, pois vale lembrar que vivemos hoje numa sociedade majoritariamente machista e homofóbica, onde alguns poucos tentam trazer o feminismo. No meu ponto de vista, o androginismo, de certa forma, é a libertação dos padrões que nos impõe, é se firmar como um ser livre para ser quem quiser ser. E acredito piamente que as pessoas deveriam ser livres para serem quem quiserem ser, sem se preocupar com os olhares preconceituosos dos outros. Afinal, se você tem certeza de quem você é, porque temer o outro?


























Esse lindo (que é o mesmo da lá do topo)se chama Andrej Pejic, nascido na Bósnia Iugoslava. Ele é hoje um dos modelos mais requisitados, e faz sucesso justamente por sua androginia. Uma vez eu vi uma entrevista dele, dizendo que gosta da confusão que causa em algumas pessoas que o vêem pela primeira vez. De certa forma, há uma de magia e mistério que o cerca, e isso, segundo ele, o instiga. Além disso, ele diz não se incomodar nenhum pouco com os comentários baixos que fazem a respeito dele. Isso apenas aumenta sua "força". :)

Além dele, há outros famosos andróginos, como:

Bill Kaulitz, vocalista da banda Tokio Hotel.
Brian Molko, vocalista da banda Placebo.
Boy George, cantor de grande sucesso na década de 80.
Marilyn Manson, vocalista da banda Marilyn Manson.
Tilda Swinton, atriz britânica.

Ainda há o Visual Kei, que nada mais é que um estilo musical onde o visual andrógino é comum, principalmente no Japão. De acordo com o wikipedia, ele consiste na mistura de diversas vertentes musicais do rock (como metal e punk) e, muitas vezes, fazem uso de instrumentos relacionados à música clássica, como violino, violoncelo, órgão, cravo e piano. Uma das peculiaridades desse movimento é a ênfase na aparência de seus artistas, muitas vezes extravagante, outras vezes mais leve, mas quase sempre misturada com a androginia, e shows chamativos. No visual kei a música anda sempre ao lado da imagem e vice-versa. Particularmente, não sou fã de nenhuma banda de Visual Kei (apesar de ter alguns albuns da banda Versailles), e menos ainda sou entendedora do assunto, mas me parece mais um jogada de marketing do mercado musical japonês, do que realmente uma expressão de liberdade. Corrijam-me quem souber mais, e eu estiver enganada.

Nos animes, só consigo me lembrar do Kazuki e do Grell como personagens andróginos (lembrando que andróginos são aqueles que possui tanto aparência quanto comportamento ambíguo). se alguém se lembrar de mais algum, me avise!



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