sábado, 22 de março de 2014

Edgar Allan Poe e sua teoria dos contos



Resolvi escrever esse post por dois motivos: primeiro, por que estou desenvolvendo um trabalho na faculdade sobre uma das obras dele (e para mim é importante estudar mais sobre o Poe); segundo por que ele era um ótimo critico literário, que deixou registrado algumas considerações importantes a cerca do que é literatura que, acredito que se bem compreendidas, podem nos ajudar a escrever melhor! :) Além disso, gosto de escrever contos também, é claro.

Bom, para quem não sabe, além de escritor (de romances, poemas e contos), Poe também era um grande crítico literário. Ele estudava política, filosofia e literatura, e em meio aos seus estudos e escritas, desenvolveu a tal da teoria do conto.

Além do horror, segundo o nosso amigo Wikipedia, Poe também escreveu sátiras, contos de humor e hoaxes. Para efeito cômico, ele usava a ironia e a extravagância do ridículo, muitas vezes na tentativa de liberar o leitor da conformidade cultural. Muitos dos seus trabalhos eram voltados para os gostos do povo, pois ele trabalhava numa editora, e escrevia para jornais.

Ainda de acordo com o Wikipedia, ele não gostava de didaticismo e alegoria (figura de linguagem em que a expressão transmite um ou mais sentidos que o da simples compreensão ao literal), pois acreditava que os significados na literatura deveriam ser uma subcorrente sob a superfície. Trabalhos com significados óbvios, ele escreveu, deixam de ser arte. Acreditava que o trabalho de qualidade deveria ser breve e concentrar-se em um efeito específico e único. Para isso, acreditava que o escritor deveria calcular cuidadosamente todos sentimentos e ideias.

A teoria de Poe sobre o conto parte do princípio de uma relação entre a extensão do conto e a reação que ele consegue provocar no leitor ou o efeito que a leitura lhe causa. Ele acreditava que “em quase todas as classes de composição, a unidade de efeito ou impressão é um ponto da maior importância”. Ou seja, toda boa história tem um começo, que leva o leitor ao seu meio, e nesse meio é que está o climax, a tensão, o ponto em que o leitor deve se prender com mais intensidade à sua leitura. Para então, chegarmos ao final, que seria a sua conclusão, onde tudo se encaixa.

Para ele, a literatura deve causar um efeito no leitor; um estado de “excitação” ou de “exaltação da alma”. E como “todas as excitações intensas”, elas “são necessariamente transitórias”. Logo, deve-se tomar cuidado com o texto, e saber como sustentar esta excitação durante um determinado tempo, pois ele não pode durar por muito tempo, nem por pouco tempo demais, por que também perde o seu efeito. Mas se o texto for muito longo, ou muito curto, esses efeitos também surtem pouco efeito (!) no leitor.

Assim, de acordo com Poe, o que o escritor deve mais levar em conta é o efeito que ele pretende causar no seu leitor. Deve-se ter sempre em mente o seguinte: que efeito pretendo causar com o meu texto? Será que quero aterrorizar? Surpreender? Encantar? Enganar? E quando tiver o seu efeito escolhido, o próximo passo é pensar sobre qual a melhor forma de desenvolver e criar tal efeito; se seria com um incidente ou o tom: “se por incidentes comuns e um tom peculiar, ou o contrário, ou por peculiaridade tanto de incidentes quanto de tom”. Para se alcançar o "tom" desejável, é preciso saber escolher bem as palavras. Uma dica interessante que posso lhes dá, é sempre dar uma olhada no dicionário de sinônimos. Ele me ajuda, e muito! Afinal, é tudo uma questão de escolha de palavras certas, né? ;) Ou então podemos criar combinações de acontecimentos com o tom, para alcançar o efeito pretendido.

Isso tudo ele dizia com relação aos contos, mas se encaixam perfeitamente em romances (histórias mais longas, como os livros), poemas, músicas.

E é isso, se alguém tiver alguma dúvida ou comentário a fazer, é só escrever que responderei. :)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...