quinta-feira, 9 de maio de 2013

Filme: Se Enlouquecer, Não Se Apaixone



Gênero: Comédia, Drama
Título Original: It's Kind of a Funny Story
Diretor: Ryan Fleck, Anna Boden
Elenco: Zach Galifianakis, Emma Roberts, Lauren Graham, Viola Davis, Jeremy Davies
Ano de produção: 2011

Sinopse: Craig é um calouro do colegial apaixonado pela namorada de seu melhor amigo. Quando toma consciência que é um potencial suicida, se interna na ala psiquiátrica de um hospital, achando que eles o observarão, o ajudarão, e o mandarão de volta para casa em tempo de começar na escolha no dia seguinte. No entanto, enquanto a ala juvenil é renovada, ele terá que ficar por uma semana na ala dos adultos e também com outros mais jovens. Bobby, um homem com uma filha jovem, mostra o lugar para ele. Craig então conhece Noelle, da mesma idade que ele. Enquanto tenta evitar que seus amigos descubram onde está, ele segue na terapia, canta e ajuda Bobby com sua entrevista.

"Tudo começou em uma ponte" — e assim, começa o filme. Craig é um adolescente praticamente como outro qualquer. Estuda, e é um ótimo aluno, tem amigos, mora numa boa casa, tem uma boa família — e que, como todas as outras, tem seus defeitos. E também é apaixonado por uma colega, que namora seu melhor amigo. Apesar disso, ele parece ter tudo, e ainda assim se mostra deprimido, infeliz.

Olhando por este ângulo, parece um filme sem nada a acrescentar, mas engana-se. De um jeito bem peculiar, "Se Enlouquecer, Não Se Apaixone”, é uma comédia dramática baseada no romance de mesmo nome escrito por Ned Vizzini. O filme mostra um jovem tentando se adequar ao mundo, enquanto lida de modo desajeitado com uma doença bastante comum e subestimada: a depressão.

O choque vem logo de inicio, quando Craig mostra suas tendências suicídas, tentando inclusive se jogar da ponte do Brooklyn. Mas ele não tem coragem suficiente para isso, e resolve, por si mesmo, ver um médico. O médico lhe faz algumas perguntas padrões, e obtém respostas padrões (ou, seja, o guri demonstra sintomas de qualquer outro adolescente confuso com o mundo). O médico tenta receitar algum remédio qualquer, mas Craig insiste em uma solução mais forte e, de preferência, imediata. Claro, todo adolescente quer respostas curtas e diretas, sem enrolações, soluções já! Como se o mundo funcionasse desta forma.

Enfim, o médico o encaminha a um centro de atendimento num hospital psiquiátrico, como se ele fosse um paciente emergente. Só que a ala dos pacientes de sua idade está em reforma, e ele precisa se misturar com os adultos, e os outro de sua idade que também estão lá. 

E é aí que a coisa esquenta. Lá temos pacientes com problemas realmente sérios e graves. Como sociopatas, esquizofrênicos, dependentes químicos, e pessoas que chegaram realmente perto da morte. 

No filme, Craig não demonstra explicitamente que percebe o quão superficiais são seus problemas, e o quão  frívolo ele estava sendo por querer se matar só porque não compreendia seus pais (sua mãe, sempre tão alegre, mas que não lhe dava muita atenção, e o pai meio ausente por conta do trabalho, mas sempre muito exigente). Mas, acho que houve, sim, esse esclarecimento da parte dele (acredito que esteja mais claro no livro). Tanto que logo ele pede para ir embora em seguida, mas como ele foi enviado para lá por prescrição médica, lhe dizem que ele tem um tempo mínimo para permanecer lá.

Enfim, dentro do hospital, surpreendentemente, Craig acaba se encontrando um pouco mais, com a ajuda dos novos amigos e aprende a lidar com os obstáculos e as pressões. Afinal, ele percebe que há problemas maiores que os seus. Principalmente, quando encontra a bela Noelle (Emma Roberts) — e basta um rosto bonito para fazer tudo melhorar! E, claro, tem o Bobby (Zach, de “Se Beber, Não Case”), um cara bacana que tenta ajudá-lo também, mas que sofre com uma doença que lhe deixa incapaz de seguir em frente e ser o pai que sua filha merecia ter. E é no meio dessa meleca toda que o filme se desenvolve.

“Se Enlouquecer, Não Se Apaixone”, traz seus próprios problemas (além da esdrúxula tradução), principalmente quando tenta passar uma imagem muito bonita do serviço de saúde (notem como tudo é bonitinho e limpinho. Os pacientes estão sempre limpos também... o que na realidade não existe. Pacientes com problemas mentais se babam, fazem suas necessidades nas roupas, fedem a remédios e trazem mais um monte de outros problemas) ou quando tenta iluminar as ações do rapaz, que magicamente (dentro de um período de uma semana, isso só pode ser mágica!) muda toda a situação do hospital. 

Ele não é uma comédia que te faça rir, muito menos gargalhar (com exceção das cenas em que ele, de repente, vomita, por causa do estresse aiushauishai) e acredito que essa é a graça do título. It's Kind Of a Funny Story (algo como "É meio que uma história engraçada"). É "engraçado" como ele vai parar no hospital e acaba ajudando os outros, e encontra alguém especial, quando ele queria se recuperar do seu amor não resolvido com a namorada do seu melhor amigo. Acredito que seja no sentido de ser uma história irônica.

De qualquer forma, acho que vale a pena ver o filme, pois trata de maneira inteligente esses temas delicados (como a depressão na adolescência) além da trilha sonora bacana e a boa atuação do Zach Galifianakis. :)













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