segunda-feira, 6 de maio de 2013

Construindo relacionamentos



Observem a seguinte situação:

"Lá estava ele, lindo e maravilhoso, olhando para mim. Me aproximei e, assim, de sopetão, o beijei. Quando nossos lábios se separaram, ele sorriu, pegou em minha mão, e fomos caminhando pelas ruas até minha casa. E, desde então, ele nunca mais saiu de lá."

Agora observe esta outra situação:

"Há duas semanas trocamos olhares. Seus olhos negros parecem me engolir naquela escuridão, me fazem perder a noção do tempo, e tudo o que vejo é ele. Somente ele. E tem o sorriso. Toda vez que ele irrompe naquele rosto sério, parece que o mundo se desmancha em meus pés, e tudo o que sinto é a luz que aqueles lábios alegres emanam. Ele ilumina os olhos escuros, e juntos entram em perfeita harmonia. De Segunda à Sábado sou levada a esse carrossel de sentimentos que ele provoca em mim. E aquele dia, não seria diferente.

Exceto por um detalhe.

Lá estava ele, lindo e maravilhoso, como sempre, olhando para mim. O pôr do sol iluminava aquele que era o meu sol. Meu coração dava piruetas, minha respiração fugia como um escape de gás, e minhas pernas perdiam autonomia. Mas eu estava decidida a tomar aquela decisão. Me aproximei, invadi seu espaço pessoal e, assim, olhos nos olhos, de sopetão, o beijei. O beijo foi doce e intenso. Quando nossos lábios se separaram, ele sorriu, pegou em minha mão, e me encheu de palavras doces. Sua voz era uma melodia, uma sonata cantada no meio daquele cenário. Lado a lado, de mãos dadas, descemos a ladeira enquanto a noite pintava o céu e as estrelas guiavam nosso caminho. Caminhamos pelas ruas contando histórias, observando as pessoas, e sorrindo como duas crianças que acabaram de descobrir o mundo. E, desde então, sua mão nunca mais deixou a minha."

Qual a diferença entre os dois contos?

Eles são os mesmo, em teoria, mas o segundo trás mais detalhes. E esses detalhes causam no leitor mais simpatia pelos personagens, não concordam? Quanto mais memórias da pessoa amada tivermos, mais o sentimento cresce (assim como acontece na realidade, não é mesmo?). E isso é transportado para o leitor.

Portanto, cuidado na hora de escrever um romance. Nunca jogue os personagens um nos braços do outro assim, de repente. Construa o relacionamento aos poucos, pois quanto mais se relacionam, mais afeição terão do leitor, e mais ele fará sentido quando os pombinho, finalmente, se unirem. 

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