quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eu em minhas estórias



Esses dias recebi uma mensagem privada no nyah — uma mensagem muito bacana quanto desconcertante (para mim). Até demorei alguns dias para responder, pensando bem no que dizer...

Cheia de simpatia, uma moça me revelou uma singela analise que fez sobre o que eu escrevia. Digo singela, pois ela não me apresentou muitos dos elementos pelo qual ela havia se baseado em sua percepção do que eu escrevia.

Enfim, ela percebeu que minhas personagens, em grande maioria, traziam um passado triste, ou como ela disse, são personagens cuja mãe não era muito afetuosa, além de que a própria personagem (no caso, a Sakura) tinha uma forte tendência a desacreditar no amor. Ela também percebeu que a personagem, não raramente, sofria algum tipo de abuso (físico ou psicológico) ou então elas tendiam a perder um ente querido, e ainda conseguia manter-se altruísta, sem abrir mão do amor, mesmo quando o perdia para a morte.

Depois de me apresentar essas características, ela supõe que eu tenha criado todas essas características com  base em experiência própria. 

Bom, eu resolvi trazer essa questão para cá, porque achei pertinente, e também talvez sirva como uma contribuição a mais eu possa oferecer para os que buscam dicas para escrever — até parece que eu sou uma grande fonte de sabedoria! só que não! E espero que ela não se importe por eu mencioná-la aqui (apesar de não estar dando nomes...)

Pois bem, como eu disse para ela, repetirei aqui. Não vou dizer que realmente o que escrevo não contenha um pouco de mim. Acho que todo mundo, quando escreve uma história, acaba se colocando no texto. Por mínimo que seja.  Mas asseguro que muita coisa do que escrevo é pura invenção (só não direi o que, pois não cabe aqui). Algumas coisas se refletem no que eu queria que minha vida fosse, como eu queria viver, o que eu queria que acontecesse comigo...outras, sim, são coisas que já aconteceram, mas sempre com uma boa pitada de exagero, para tornar mais interessante (minha vida é um tédio tão grande que não serviria nem pra poesia de rua!)... E acredito que é isso o que torna o enredo mais verossímil. Dessa forma, eu consigo ter um controle sobre o texto, tomando cuidado para não deixar que a história se torne surreal, ou "falsa" demais. — É engraçado falar em falsidade num texto fictício  não é mesmo? Mas eu já havia comentando antes sobre essa questão da verossimilhança aqui, e sua importância numa história.

Voltando à questão, sempre coloco essa mistura de coisas que já me ocorreram com o que eu imagino que poderia acontecer. E acho que é algo comum entre os que escrevem. A diferença é que algumas pessoas fazem isso com mais consciência do que as outras...E talvez, realmente, eu me coloque mais do que a maioria... por que, como eu digo, escrever é uma terapia para mim. Serve tanto para me desligar do "mundo real", quanto para me aliviar do estresse. Então, é bem possível mesmo que eu acabe me colocando em algumas palavras.

Mas pensem comigo, isso realmente não é algo tão incomum.... não que eu queira me comparar com eles (eu sei muito bem que estou MUITO longe deles), mas autores clássicos fazem isso. Machado de Assis, Clarisse Lispector, Josué Guimarães, Virginia Wolf, Charles Bukowski, entre muitos outros... todos eles se colocam bastante em seus textos. Então, cambada, tratem de se retratarem um pouco mais em suas histórias, pois isso só tem a agregar mais para vocês! :D

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