domingo, 7 de outubro de 2012

Os Rejeitados - cap 3


Mais revelações sobre o que acontecia na vida das personagens. Espero que gostem. Depois deste cap, acho que voltarei a postar no nyah...mas sem prometer nada, ok?... o futuro dessa fic ainda é incerto... T__T



Os Rejeitados
by Amanur
3
...

Não sei se foi apenas uma impressão, ou se Sakura realmente contraiu o rosto numa rápida careta de dor, como se não tivesse gostado de ouvir aquilo. Isso me enche um pouco de esperança, pois, talvez, signifique que ela não guarda tanto rancor quanto penso. Bom, pelo menos, é no que quero acreditar... Até porque eu quero que ela saiba que, se arrependimento matasse, eu já estaria decomposto em minha cova.

Uma leve dor de cabeça me atinge, e retiro os óculos de grau no colarinho da minha camisa. O coloco no rosto e continuo a lhe contar a história, depois de pigarrear.

“Seus olhos demoraram a se abrir completamente para a luz do sol que entrava pelas frestas da cortina floral do seu quarto. Você acordou sozinha em sua cama, e percebeu que assim passara toda a noite, ao constar que o outro lado do colchão permanecia intocado. Eu dormi, provavelmente, outra vez em meu escritório particular.

— Melhor assim. — você disse a si mesma. E ficou deitada por mais algum tempo, olhando apática para o teto forrado com papel de parede que você mesma escolhera. Quanto mais olhava para aquilo, mais se convencia de que precisava trocar o papel, apesar de ele estar perfeitamente intacto.

E quem sabe, devesse trocar também a mobília. Já olhara para eles por tempo demais. Bom, na verdade, convenhamos! Você estava apenas entediada, cansada de estar ali, naquela prisão domiciliar em que eu a pusera.

Você pegou o relógio de bolso, que deixava sobre o criado mudo, para ver a hora. Era cedo, ainda; os galos do vizinho ainda cantavam do lado de fora. Decidida a pôr um fim naquela sensação estranha que sentia ao acordar, você se levantou para dar início a mais um dia de enfado, onde tudo era igual ao dia anterior. Após vestir-se, tomou seu café da manhã, calmamente, naquela gigantesca mesa retangular. A empregada lhe servira sucos, frutas, pães, diversos tipos de biscoitos e bolos. Estava tudo muito apetitoso, mas você não sentia vontade de tocar em nada. Bebericou um pouco do suco de laranja e deixou a mesa farta, praticamente intocada. Foi somente no corredor , quando voltava para o quarto, que encontrou me encontrou vestido com a mesma camisa branca da noite anterior com os botões abertos. Desta vez, entretanto, eu estava descabelado naquele jeito que você sempre apreciara. Você sempre me achava muito mais sexy quando me metia a rebelde. Mas de um tempo para cá, desde que nos casamos, eu mudara completamente. Não era mais o rapaz brincalhão, meio idiota, sempre bem humorado que você conheceu. Eu me tornei um homem de verdade, sério e muito comprometido, e isso a assustava.

E era por essas e outras razões que você precisava daquelas escapadas que começou a dar, não foi mesmo? Já se sentia sufocada com os segredos que eu guardava, e já não se sentia confortável na minha presença. Algo em seu instinto feminino dizia que seu marido estaria envolvido em algo amoral, e essa ideia a repudiava.

Eu lancei um olhar indecifrável, notando que minha esposa estava vestida para sair, e passei as mãos nos cabelos bagunçados.

— Vai ao Grupo das Desocupadas? — perguntei a você, naquele tom sarcástico que detestava ouvir.

E você revirou os olhos. Logo depois do casamento, você entrou para um grupo de mulheres que lutavam por direitos iguais entre homens e mulheres, no qual eu acreditava ser pura perda de tempo. Aqueles eram tempos difíceis para as mulheres, eu sei. Vocês sofriam muito preconceito dos homens. A indústria estava em expansão, e somente homens tinham vez, enquanto algumas mulheres desejavam perdidamente serem libertadas das tarefas domésticas e da prisão domiciliar em que eram condenadas a passar suas vidas. Muitos pais ainda destinavam suas filhas a casarem com quem eles achavam melhor — como no seu caso —, e elas eram obrigadas a servir seus maridos até a morte, sem nem o direito a uma separação, porque era algo mal visto pela sociedade. As mulheres eram taxadas de libertinas, adulteras e irresponsáveis por não seres capazes de manter um casamento sólido, enquanto os homens eram vitimados por terem sido destinados àquelas mulheres terríveis.

O grupo ainda era pequeno, liderado por Temari, que prometia fazer algo contra esse pensamento social. A verdade é que sua amiga havia desmanchado seu próprio casamento, que durara menos de dois anos, e sofria todo o tipo de preconceito com seus vizinhos e demais. E por isso resolveu criar aquele grupo de apoio. Obviamente, você não poderia deixá-la na mão. Não eram irmãs de sangue, mas se consideravam irmãs de espírito.

Havia, ao todo, apenas onze mulheres determinadas a ir contra seus maridos e pais. Não era muito, mas elas consideravam um começo. Tinham esperanças de que o grupo crescesse no futuro.

— Naturalmente. — sem dizer mais nada, você apressou os passos até a nossa suíte, para pegar seu chapéu de passeio e bolsa de mão. Divertido com a idéia, a segui.
— Posso saber o que diabos vocês fazem lá? Fofocam? Trocam receitas de bolos? Corte e costura? Esmaltes?
— Muito pelo contrário, meu caro. Isso é o que menos fazemos. — você decidiu não se sentir afetada pelos comentários machistas de seu esposo, não foi?
— E então? O que fazem?

Você suspirou, porque sabia que a resposta me faria rir.

— Lutamos por justiça. Estamos em constante contato com a polícia, para resolvermos casos de agressões domésticas. Muitas mulheres nos procuram para denunciar seus maridos agressivos, inclusive. — essa última parte, talvez, não fosse bem verdade. Em todo aquele tempo, desde a fundação do grupo, apenas uma mulher tivera a coragem de deletar seu marido. E até então, elas brigam por justiça na policia, que diz não ter obrigatoriedade em se meter em problemas matrimoniais.

Mas, para a sua surpresa, eu não ri. Pelo contrário, a fitei seriamente, como se pensasse em algo grave.

— O que foi? — indagou, ao colocar seu chapéu na cabeça.
— Cuidado com a polícia.

Você estreitou os olhos.

— Por quê?
— A polícia, nem sempre, é o melhor meio de proteção.

Você bufou, revirando os olhos novamente. Afinal, já sabia disso. E como sabia! Tantos anos sem ter obtido nada para a pobre moça, que continuava a apanhar do marido bêbado, teriam lhe dado essa dica.

Sem mais a acrescentar, você me deu as costas. Mas antes de por os pés para fora do quarto, me ouviu dizer algo.

— Estou saindo também. Vou para o jornal; tenho muitas coisas para revisar. Mas voltarei para almoçarmos juntos. Acho que precisamos conversar sobre algo...

Em tão pouco tempo, eu conseguira se tornar chefe editor do maior jornal do país. Ou, pelo menos, era o que eu sempre dizia. Você sempre suspeitou da forma rápida com que eu conseguira conquistar toda a fortuna que tinha. E a cada me a renda parecia aumentar cada vez mais. Mas eu jurava que era um negocio ainda em expansão, bastante lucrativo. Apesar de que, havia boatos de que isso ainda poderia mudar com um aparelho estranho que estava sendo inventado, capaz de transmitir imagens em movimento através de um tubo iconoscópico. Além disso, Gaara, meu melhor amigo e que trabalhava comigo, sempre confirmava tudo. E como você, de fato, não entendia nada sobre economia e política, se via obrigada a aceitar tudo o que seu marido lhe dizia a respeito, não era?

Mas a menção sobre aquela conversa a fez estremecer de modo nada agradável. No entanto, resolveu não se deixar abalar pelo tom meio ameaçador, meio autoritário, que puseram na voz ao fazer aquela declaração. E por isso, nada disse. Fui tomar banho, e você prosseguiu em sua rotina.

Ao sair pela porta principal, foi saudada pelos cães. Afagou a cabeça de um deles, que pulou com as patas sujas de terra sobre seu vestido. Após receber lambidas na mão, você se pôs a atravessar o extenso e florido jardim, até o portão. Um conjunto de grades altas, ricamente ornamenta e pintada de branco, dava toda a vista da rua para quem estivesse do lado de dentro, bem como os que estavam do lado de fora deslumbrava o lado de dentro do terreno. Sakura pegou as chaves da bolsa, mas se deteve antes de colocar a chave no trinco, para abrir o portão. Havia um homem muito mal vestido, sujeito mal encarado, revirando o sacolão de lixo que a empregada recém pusera com as sobras do seu café da manhã.

Não era a primeira vez que via aquele homem revirar seu lixo; no entanto, aquilo não tornava menos nojento e grotesco para você. Afinal, achava que a pobreza era uma coisa feia de se ver. Os pobres poluem tudo, são avarentos, mesquinhos, esganados e ignorantes.  Além disso, muitos deles são transmissores de doenças, fedem sempre à cachaça barata e outros fumos, que não os degustados pelos homens da alta sociedade.  São baderneiros, que fazem arruaça até altas horas da noite, bêbados aos berros. São vândalos. São anarquistas hipócritas que não merecem piedade, por que apunhalam nas costas dos inocentes caridosos, sempre na ganância de obtiver o que pertence aos outros. Contudo, no fundo, você ainda sentia um desconforto, talvez pena, ao olhá-lo. O rosto magro e sujo, barbudo e de cabelos desgrenhados, morrendo de fome. Você imaginava que poderíamos estar no lugar dele, por falta de sorte.

Só que seu orgulho acabava sempre falando mais alto.

— Pare de mexer no meu lixo. — disse, com determinação na voz.

Sasuke fingiu se assustar, mas, a verdade é que seus ouvidos perceberam seus passos se aproximando. Ele decorou o ritmo sonoro dos seus pés sobre o concreto, pois você tinha um jeito particular de caminhar.

— O que está do lado de fora do portão não lhe pertence mais. — ele resmungou, colocando algumas frutas inteiras numa sacola plástica que trazia consigo.
— Pelo contrário, está em minha calçada! — rebateu, dando ênfase no pronome possessivo.
— E a calçada é pública. — disse, tranquilamente, mordendo um pedaço do bolo que você rejeitara a pouco tempo no café — Você tem uma boa cozinheira! — ainda disse.

E você viu aquela cena enojada.

— Se você não sair daí, vou chamar a polícia. — retrucou, com a mão na cintura.
— Não precisa ter medo de sair de casa! Não tenho a menor vontade de tocar na senhora. — Sasuke disse aquilo com tanto desprezo que poderia cuspir nas próprias palavras. No entanto, aquele desprezo não refletia a realidade.

A solidão que ele sentia rugia no peito como um lobo uivante, cheio de lamurias e tristezas. Foram tantas as vezes que sonhara com alguma coisa a mais... Ele queria desesperadamente que as coisas mudassem. Mas muitos deles eram delírios do álcool barato que conseguia de vez em quando, que o fazia lembrar dos privilégios que conseguira com o homem que o adotou, o fazendo alimentar-se da ideia de que um dia poderia ser capaz de alguma coisa. Em sua mente, reprisava sempre os momentos de trocas de olhares tímidos que tivera com Karin, e se lamentava por todos os sonhos que não conseguiu concretizar.

Enquanto ele continuou a pegar as sobras do seu café, você o observava em silêncio. Tanto pela raiva contida quanto pelo medo. Não tinha certeza, mas o tom dele parecia um tanto ameaçador.

Seus cães continuavam a ladrar. Ao ver o vizinho que morava do outro lado da rua saindo em sua charrete, decidiu tomar coragem e sair. Abriu e fechou novamente o portão, em gestos rápidos, e foi caminhando pela calçada de coluna ereta, sem olhar para trás. O grupo se reunia na casa da própria Tenten, que morava sozinha num pequeno, mas muito aconchegante sobrado, localizado a três quarteirões de sua casa. Eu sempre insistia para que você fosse de charrete, mas você gostava de caminhar, respirar o ar e esticar as pernas, e blábláblá. Agora, no entanto, estava pensando em reconsiderar o meu pedido.

— Tenha um bom dia, madame! —ainda ouviu o mendigo lhe dizer, cinicamente.

Ora, render-se a ameaças dele, não seria submeter-se aos machismos? Não! Você não faria isso. Você endireitou a coluna, ergueu a cabeça, e continuou a caminhar pela rua decidida a enfrentar qualquer coisa. Não era mais uma criança. Já era uma mulher, bem entendida sobre os mistérios do mundo.

Enquanto isso, Sasuke permaneceu ali parado, vendo-a se afastar, até dobrar a esquina e desaparecer. Pegou o resto que tinha e, rindo do seu nariz empinado, voltou arrastando os pés até o abrigo, onde Suigetsu e Juugo ainda dormiam. Quando se é morador de rua, nada se pode fazer se não esperar que a morte os pegue enquanto dormem ao relento. E é bom não fantasiar com o que poderiam ter, para não acabar enlouquecendo como os dois senhores da outra esquina que, tão solitários, já falavam com espíritos.

Sem fazer alarde, ele sentou em seu canto de sempre, largando a sacola ao seu lado. Juugo, o  cara que havia se unido ao grupo há poucos dias, estava despertando. Ele não fora abandonado pelos pais, como os dois rapazes, mas tivera os pais assassinados. Além de terem levado a vida de seus pais, alguns homens lhe tomaram a casa e todos os pertences, o deixando na sarjeta. E agora ele tinha aquele olhar cheio de cólera contida, e muito tristeza nos ombros caídos.

Após sentar e esfregar os olhos com as mãos, Juugo fitou a sacola cheia de frutas frescas. Mas não disse nada, apenas lançou um olhar indiferente a Sasuke, que o observava. Num gesto simples, ele pegou uma maçã e atirou em direção ao outro rapaz, que pegou a fruta no ar. Sem dizer nada, ele deu uma mordida e encarou o mendigo calado. Ele ainda tinha receio do Sasuke, pois não sabia se podia confiar nele. Suigetsu era mais fácil de lidar. O rapaz de cabelos brancos não parava de falar, apesar de meio rabugento. Sasuke era o mais quieto do grupo, andava, geralmente, sozinho pelas ruas e não falava de si em hipótese alguma.

Os moradores de rua sabiam que o dia havia começado quando começava a pipocar pessoas por todos os lados das ruas, caminhando apressadas, em carruagens, a cavalo ou charretes. Conseqüentemente, o barulho se fazia maior com os comerciantes abrindo suas lojas, e vendedores ambulantes aos berros e pessoas conversando, tentando se fazer ouvir perante todo aquele ruído que se misturava ainda aos galopes dos cavalos, motores de charretes, e rodas de carruagens.

Suigetsu não tardou a acordar. Viu a sacola ao lado de Sasuke, que se levantou para mais uma caminhada sem rumo pelas ruas da capital. Nisso, Suigetsu afanou um cacho de bananas e correu atrás do rapaz que passaria mais um dia inteiro sumido, como costumava a fazer.

— Ei, Sasuke... Nós estávamos pensando... Sabe o velho da padaria?

Sasuke cessou os passos e o olhou de canto, em resposta.

— Então... Não me olha assim não, cara! O velho te humilhou, semana passada! Como pode ter pena dos outros? Por mim, todos eles explodiam.

Sasuke não deu bola para o comentário, e continuou caminhando, mas seu companheiro logo o alcançou. Caminharam lado a lado por alguns minutos; Suigetsu descascava a última banana, quando resolveu abrir a matraca novamente.

— Depois que ele fecha a loja, ainda permanece sozinho lá dentro por mais umas horas fazendo o balanceamento do caixa... Juugo já confirmou presença. Se resolver mudar de idéia, é só dar as caras às 19 horas. — e então, o rapaz dobrou a esquina, enquanto Sasuke seguiu reto.

Ele caminhou por mais duas quadras, até chegar ao velho prédio que servia de sede para o seu clube idiota. Ele já havia lhe seguido até ali, algumas vezes, antes de descobrir que você morava comigo. O que era uma pena, para ele.”


2 comentários:

  1. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh *o*
    Ain que tristeza que você parou no terceiro capítulo! Não está boring, de jeito nenhum! Bem, estarei aguardando ansiosamente os próximos capítulos, mesmo que você demore D:
    Enfim, está ótimo!

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  2. Olá, anonimo.
    Fico feliz por saber que estava curtindo a fic. Na verdade, eu deixei de postar ela aqui no blog, para continuar no Nyah fanfiction. Já tenho 26 capítulos postados. :)

    o link é esse: http://fanfiction.com.br/historia/280612/Mercenarios/

    bjss :************

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