sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os Rejeitados



Podem me estrangular, e tudo mais! T___T Eu nem ia postar isso, mas quem escreve sabe como é bom postar nossas "marmotices". A ideia para essa fic já estava no papel a um booooooom tempo. Já tinha esboçado até uns 3 capítulos. E depois desse ultimo post falando sobre minha ausência, a saudade de escrever bateu ainda mais forte. A verdade é que ando tãaao atucanada com os afazeres do dia-a-dia (trabalho, faculdade, casa, família...) que mal tenho tido tempo para fazer o que gosto; mal tenho tempo para ter tempo pra mim, sabe? E isso é horrível. Tenho andado muito estressada e cansada. As vezes tenho vontade de atirar tudo pro alto e dizer: fod@-se! Vou morar da rua com meu pc, e viver só escrevendo!

T___T Mas não dá né? Gosto de celular, televisão, internet, comida, preciso comprar camisinhas...e tudo isso precisa ser pago ¬¬. aiuhaiuahauiahi. Mas enfim, fiz um esforcinho, e dormi menos só para escrever um pouco por noite. E essa semana teve feriado aqui em Porto Alegre (na quinta, e tirei folga na sexta \o/). Fiz trabalhos pra facul e pude escrever um "cadinho" mais. T_____T.

Não vou postar por enquanto no Nyah, porque nem sei se vou conseguir terminar logo em seguida essa fic. Se eu conseguir, postarei toda ela lá. Além disso, tenho a leve impressão de que ficou boring. Quem tiver saco pra ler até o final, me diga o que achou. Se merece ser continuada ou não (na real já tenho a continuação dessa parte, só preciso alterar alguns detalhes)... T__T

PS: ainda estou em dúvida quanto ao título...

E a fic é SasuxSaku, by the way! S2

Sinopse: Talvez não fosse correto comparar a vida com uma roda gigante. De fato, ambas têm seus altos e baixos, e algo inesperado sempre pode acontecer. Mas o problema da roda gigante é que ela sempre nos dá uma mesma visão do cenário, pois ela não sai andando por aí sem rumo. Diferente da vida, que dá voltas, sem jamais ficar no mesmo lugar por muito tempo. E então, vêm as surpresas: os segredos, a traição, o golpe de estado, o tiro que sai pela culatra mirando um coração... E então a alguém precisa ir atrás do passado para entender o futuro. E, talvez, eliminar tudo.

Gêneros: ação, drama, romance. 
 


Os Rejeitados
by Amanur
...
Capítulo 1
...

Há dois anos que todo domingo, sem falta, visito minha ex esposa no hospital central da cidade. Hoje, Sakura completa 86 anos, e trago um buque de flores e um pacote de presente. Ao entrar em seu quarto, a encontro sentada numa poltrona, ao lado da janela, olhando o pátio do hospital. Ela se quer vira o rosto para ver quem se aproxima.

Ela está em estado vegetativo, há cinqüenta e nove anos devido a um forte trauma que sofreu no passado.  

Coloco as coisas que trouxe para ela sobre a mesinha ao lado da cama, e puxo uma cadeira para me sentar de frente a ela. Ela continua sem mexer os olhos, mas sei que sabe que estou aqui porque ela começa a mexer levemente o dedo mínimo da mão esquerda. Digo que é sinal de que ela está entediada, porque ela sempre fica com aquela expressão mais carregada, o corpo curvado — apesar da idade. Além disso, lembro que ela costumava fazer isso, quando estava bem.

— Trouxe um xale de presente para você. Lembrei que você gostava de usar xales. — comentei. Sakura continua parada como uma pedra, olhando para a janela; somente o dedinho e o peito se mexendo. Levanto-me da cadeira, e ajeito uma mecha de cabelo que voava sobre seu rosto, a colocando atrás da orelha. Percebo que está sem os brincos de pérolas, e caminho até a cabeceira dela resmungando: — Essas enfermeiras estúpidas... — ela sempre foi muito vaidosa, e sei que detestaria receber visitas sem seus brincos.

Depois de colocá-los em sua orelha, sento-me novamente na cadeira, respirando o ar que entra pela janela.

Estou começando a ficar cansado de olhar para ela desse jeito, mas sei que nada vai mudar... Eu somente venho aqui porque também não tenho mais ninguém na vida, e ela é tudo o que me restou do passado. Sou mesquinho, rabugento, resmungão, e queria muito que aquelas tardes de monólogos cessassem.

Principalmente porque sei que ela está como está por causa dele.

— A vida continua, Sakura. E você deveria seguir em frente também. De que adianta passar o resto da vida vendo o sol nascer através dessa janela?

Ela continua batendo o dedinho contra a perna. Meus olhos se enchem de lagrimas, mas luto contra elas; contra a vontade de bater em alguma coisa; contra a vontade de explodir o mundo.

— O que você quer? Que eu te dê mais desculpas do que já dei?

Nada. Nenhuma reação dela. Nem o dedo mais bate.

— Bom, eu não sei o que você quer...

E ela volta a bater o dedinho.
Eu sei o que ela quer.  Ela quer que eu pague pelo que aconteceu, reprisando a maldita historia infinitas vezes, como se fosse capaz de reverter os fatos ocorridos. Uma espécie de “aprenda a lição”. Mas, na verdade, não tenho certeza se estou ajudando, se estou piorando, ou se isso não surte efeito algum sobre ela.  Tudo o que sei é que preciso recontar a estória, reviver o passado, a dor, o sofrimento, e tudo o que causou essa moléstia. Devo cutucar a ferida para não deixá-la cicatrizar, como punição pelo que aconteceu.

Mas Sakura não é muito justa, porque ela também teve uma parcela de culpa nos fatos.
Suspiro, porque sei que não adianta ficar apontando o dedo para os culpados.

— Ok... — tento sorrir, mas a coisa sai numa careta forçada. E então, começo a contar desde o início, quando ele nasceu. Decido sempre começar por essa parte, porque sei que ela gostaria de saber.

“Havia um enorme casarão, no final na “rua abandonada” — como era conhecida. Era assim chamada, porque não havia mais nada naquela rua, além daquela enorme e velha casa de concreto e madeira. Cercada por terrenos baldios, cheio de mato e árvores não frutíferas, as pessoas que entravam naquela rua, o faziam por ter tomado uma das decisões mais importantes de suas vidas: Levar ou deixar uma criança.

No dia 30 de Agosto de 1891, uma mulher carregava uma cesta pesada nos braços, se protegendo da chuva com um casaco velho que cobria sua cabeça. Ela sentia dores na barriga, e entre suas pernas bambas ainda escorria algum sangue. O céu escuro da noite sugava todas as cores da paisagem e a beleza daquela jovem infeliz, que caminhava às pressas pelas calçadas com medo do vento, com medo dos raios e com medo da água que lhe caia sobre a cabeça. Aquela moça achava que aquilo era um sinal de Deus, e por isso rezava enquanto seus sapatos gastos pisavam sobre poças de água. Mas a cada passo que dava, sentia que já não sabia mais dizer o que mais pesava; se a cesta ou o coração afogado na culpa por seus pecados.

— Está tudo como na primeira vez. — murmurou para si, enquanto olhava a sua volta e tremia de frio — Eu vou ser punida! Vou ser punida! — não se sabia se aquela água que lhe escorria pela face era a chuva ou suas lágrimas.

Passada mais algumas quadras, finalmente chegou ao local que desejava: na entrada de um grande e velho casarão. Ela deixou a cesta em frente a uma grande porta de madeira, e bateu três vezes em pancadas leves. E, então, a moça saiu correndo rua a fora, com medo das trovoadas que não paravam de esbravejar no céu. Temia a fúria divina, apesar de saber que era merecedora do seu castigo, mas só pensava em chegar em casa logo.

Alguns minutos depois, uma segunda mulher, esta enrolada num cobertor xadrez colorido, abriu aquela pesada e ruidosa porta. Ao ver aquela cesta no chão, coberta por um tecido velho e encardido, suspirou.

— Por que dias de chuva inspiram pessoas a abandonar seus filhos? — seria para abafar o choro da criança?, ainda se perguntou. Sem delongas, ela apanhou o pequeno menino do cesto. Surpreendeu-se ao vê-lo dormir pacificamente, apesar de toda a chuvarada que caia. — Será um bravo homem. — ainda disse para ele.

Alguns anos depois, aquele bebê, agora um menino de seis anos, corria alegremente pelo jardim do velho casarão, junto com os outros órfãos. Ele corria sorridente, sob o olhar aborrecido da diretora porque acabara de ser devolvido da família que aparecera para adotá-lo.

— É a terceira vez que esse moleque retorna! Será que não vou conseguir me livrar dele???! — Tsunade, a dona da casa, resmunga para sua sócia e amiga de tantos anos, que também observava as crianças.
— Talvez devêssemos levá-lo a um psicólogo. — sugeriu a outra, que atendia pelo nome de Shizune.
— Esse pivete precisa de umas boas palmadas no lombo, isso sim! — e com isso, a mulher deu as costas, voltando para seus afazeres dentro da casa, enquanto a outra permanecia de olho nas crianças. Os pequeninos brincavam na neve, fazendo bonecos ou atirando bolas uns nos outros. Eles estavam se despedindo do inverno, que em breve daria a vez para a primavera.

De braços cruzados, Shizune contabilizava em torno de trinta crianças no jardim. O orfanato jamais atingira um número tão grande de residentes. E, por isso, o casarão estava sofrendo problemas financeiros. O governo ajudava pouco com as despesas, e depender da caridade dos vizinhos era quase utopia, pois ninguém se importava com as crianças. Mas era assim que eles iam levando seus dias, dentro do orfanato.

Todos seguiam uma rotina diária, dentro do casarão. Levantavam cedo para tomar o café, depois voltavam para os quartos para arrumarem suas camas. Depois, iam para a biblioteca, onde Shizune tentava ensinar a eles a ler e contar o básico, enquanto a cozinheira Anko preparava o almoço e Tsunade cuidava da parte administrativa da casa. Depois do meio dia, as crianças tinham uma hora livre para fazerem o que quiserem (brincar era o que eles geralmente escolhiam), para depois serem divididos em dois grupos. O primeiro grupo ajudava na pequena horta da casa, no quintal do casarão, enquanto o segundo ajudava na limpeza do orfanato. Depois de revezarem, já quase noite, tomavam banho, jantavam e iam dormir cedo. No entanto, essa rotina era quebrada quando aparecia alguém para adotá-los. As crianças eram instruídas a ficarem limpas, sorrirem para os adultos, e ficarem comportados na grande sala, com a esperança de serem escolhidos. E isso, geralmente, era visto como um grande evento, quando alguém aparecia para levar um deles. As crianças ficavam ansiosas, loucas para serem escolhidas por alguém, para terem alguém a quem chamar de mamãe e papai. E quando não eram escolhidos, uma depressão geral os deixava abatidos, desanimados, embora não desesperançosos.

— Vamos todos rezar em agradecimento, porque Papai do Céu escolheu o “Fulano” para ganhar um lar. — dizia Tsunade às crianças, sempre que o casal deixava o orfanato com seu filho recém adquirido — E digam: vou me comportar melhor, para da próxima vez ser o escolhido! — ela ainda remendava, como se fosse parte da oração.
— Vou me comportar melhor, para da próxima vez ser o escolhido! — todos eles repetiam em coro.

Não era comum alguém devolver uma criança. Isso era mal visto, e os pais poderiam ficar com a fixa de adoção “suja”, por arruinar a autoestima da criança. Além disso, a fama das três mulheres que tomavam conta do orfanato era conhecida de longe. Todos falam do gênio forte das três.

Só que naquele caso a situação era diferente. Sasuke, o menino que chegara de madrugada numa cesta de piquenique, é quem realmente estava causando problemas. As famílias reclamavam da falta de educação dele, e de seu comportamento agressivo. O menino berrava o tempo todo, chutava todos, e atirava a comida pelas paredes.  Tsunade já não sabia o que fazer com o menino, e Shizune desconfiava de que ele tivesse algum problema, pois no orfanato ele era completamente o oposto. Era uma criança quieta, comportada e obediente. Jamais causou problema a alguém. Brincava pacificamente com as outras crianças, e sempre obedecia aos comandos dos adultos.

Somente uma vez, quando tinha quatro anos, quando pegou catapora, Sasuke se comportou de maneira incomum. O menino chorava o tempo todo, fazendo manha, e não parava quieto, chamando por sua mamãe que nunca veio. Felizmente, ele pode contar com o auxilio de seus colegas de quarto, também com catapora, que lhe faziam companhia na enfermaria. Seis crianças permaneceram isoladas naquela sala, por duas semanas e meia.”

Percebo que Sakura muda ligeiramente de fisionomia, o que me corta o coração. O começo é uma de suas partes favoritas daquela estória. Levanto-me para tomar um pouco de água, que pego do refrigerador que há em seu quarto, e volto a me sentar na poltrona em frente a ela.

— Bom, preste atenção, que vou entrar em cena...

 “Já estavam no final da primavera, quando algo surpreendente, e ao mesmo tempo triste, aconteceu naquele pacato orfanato. Uma mulher bateu na porta do casarão, carregando um menino pela mão. Os olhos azuis, exatamente da mesma cor do céu que pintava aquele dia, chamou a atenção da criançada. O menino, no entanto, diferentemente do dia alegre que se fazia, estava triste, melancólico, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Ele foi deixado na sala, junto com as outras crianças, enquanto a mulher que o trouxera se trancou na sala da Tsunade. Shizune, encarregada de ficar de olho neles, tentava animá-lo. Mas do lado de fora, logo começaram a ouvir os gritos da Tsunade, brigando com a mulher que trouxera o menino estranho.

— Por que a bruxa está gritando? — perguntou um dos órfãos.
— Por que provavelmente aquela moça fez alguma coisa de errado... — disse Shizune, tentando dar alguma explicação. Mas o menino novo levantou seus olhos para as outras crianças, fungou o nariz, e respirou fundo.
— Por que minha mãe vai me abandonar aqui... — e assim que as palavras chegaram os ouvidos dos outros, o menino sai correndo pela casa, sem saber para onde ia.

Todas as crianças ficaram assustadas com aquela novidade. Como uma mãe poderia abandonar um filho daquela idade? Justo aquela idade, em que eles deveriam estar sendo amados, e acolhidos pela família! Era a primeira vez que eles viam a mãe verdadeira de alguém abandonando seu filho ali. Geralmente, os pais os deixavam quando ainda bebês, e à noite, quando todos dormiam.

Alguns minutos depois, a mulher saiu correndo da sala da diretora aos prantos, e ainda bateu a porta com força. Preocupada, Shizune foi até a sala do escritório para confirmar o que o menino dissera.

— Sim, é verdade. Aquela filha da mãe resolveu abandonar o filho aqui, porque ela e seu marido estão com muitos problemas financeiros. Perderam o emprego, perderam a casa, perderam a vergonha na cara! E quem paga o pato somos nós!
— Pobre menino!
— Pobre de mim, isso sim!”

— Bom... Aquele fui eu, você sabe. — fico um tempo parado olhando para ela, na esperança de obter alguma reação, mas não ganho nada além de um suspiro. Ela continua a não me olhar. Então me lembro de contar algo que não havia dito das outras vezes — Ah! Semana retrasada estive vasculhando a árvore genealógica da minha família, e descobri que a Karin era minha prima, filha da irmã da minha mãe... Para vê como o mundo é pequeno... — achei que contando isso receberia mais alguma coisa, mas ela continuou apática.

Suspiro, e decido continuar.

“Eu me mostrei resistente a interagir com as crianças. Fora rejeitado pelos pais, e foi assim que me senti com relação ao restante do mundo. Levei um bom tempo até começar a reagir, e esquecer o que me aconteceu. E tudo graças à Karin, uma das poucas meninas do orfanato. Uma semana depois, numa quarta feira, eu não parava de chorar. Estava me sentindo pesado de tanta tristeza nos ombros. Alguns dos meninos até zombaram de mim, me chamando de “bebêzão”, e entre eles, Sasuke. Mas só até ver aquela menina, de olhos castanhos tão claros que às vezes pareciam vermelhos, se aproximar de mim.

— Não chore! Você vai gostar daqui. — ela me disse, oferecendo sua mão e um sorriso para o menino novo.

Mas Sasuke não gostou da cena. Karin não era uma garota que falava com frequência, nem com todos. Ela se mantinha sempre afastada, observando todos brincar, e ninguém sabia o motivo por ela ser daquela forma. Tudo o que sabiam sobre ela é que apareceu no casarão quando tinha três anos. E quando a menina falava, todos paravam para ouvi-la. E naquele instante, não foi diferente. Foi uma das raras vezes em que ela falou, e ainda mostrou os dentes.

Karin tinha problemas, e todos sabiam por que alguns deles sofriam junto com ela. À noite, às vezes, ela acordava aos berros e perdia o controle de suas emoções. A menina pulava na cama das outras crianças e começava a bater nelas, arranhar o rosto e puxar os cabelos, até que alguém a prendesse pelos braços e pernas. Em seguida, tinham que lhe dar uma injeção para que acalmasse os nervos. Quando ela recobrava a consciência, sempre chorava ao ver o que havia feito com os outros e pedia mil desculpas.

Ninguém mexia com ela. Alguns tinham medo, outros tinham ressentimentos. Alguns diziam que ela era possuída pelo diabo, outros sussurravam que ela não batia bem da cabeça. Mas todos sabiam que era algum problema, não era proposital, e que a menina precisava conter por si mesma — e por isso ninguém a revidava. Até mesmo a respeitava, de certo modo. Afinal, geralmente, ela costumava ser uma boa menina, que ajudava com a limpeza da casa para se manter ocupada e afastada das outras crianças.

Um fato curioso é que ela jamais pulou na cama do Sasuke. E ele queria tanto que ela fizesse aquilo; arranhasse seu rosto, puxasse seus cabelos, batesse nele. Só para terem alguma coisa que conversar mais tarde. Mas ela nunca fez isso. Por tanto, aquela, realmente, foi uma cena que ficou marcada na memória de todos os meninos que ali viviam, e uma cena para causar ciúmes em todas as meninas também. Pois, mais tarde, eu me tornei o mais popular entre os meninos, com meus olhos azuis e cabelos loiros. O garotinho chorão se transformou em um rapazote sorridente, sempre de bom humor, e disposto a ajudar a todos. Eu fazia as tarefas domésticas junto com as amas da casa sem se queixar, pelo puro prazer de ajudar. Foi assim que fui cativando a todos. Inclusive Sasuke.

Em pouco tempo, ambos nos tornamos inseparáveis. Construímos sonhos e ambições em conjunto. Arrumaríamos um emprego, juntaríamos dinheiro, e compraríamos o orfanato para ajudar as crianças que ali encontraram um lar, assim como nós. Eu ainda falava em me casar com Karin, em lhe dar tudo o que merecia. Eu acreditava que a menina apenas necessitava de um pouco de amor para ser curada. E Sasuke ficava em silêncio sempre que eu falava dela. Mas eu sabia, lá no fundo, que era dele quem ela gostava, e que ele sentia o mesmo. Durante as refeições, eles trocavam olhares cúmplices, mas tímidos. Durante as aulas ministradas por Shizune, eles faziam a mesma coisa. Mas Karin parecia uma pedra preciosa, brotada no topo de uma colina, para o primeiro corajoso que se aventurar a escalar aquelas alturas poder usufruir. E esse não seria ele.

Já tínhamos nossos quinze anos quando ouvimos a velha Tsunade conversar com a menina em seu escritório.

—... Isso não é um pedido, é uma ordem! Você tem um trauma pelo qual deve superar. Talvez as marcas daquele dia jamais saiam de sua cabeça, mas você deve aprender a controlar seus medos e pesadelos, porque todo mundo já está de saco cheio de te aturar! E é por isso que você deve ver o doutor. Ele é um psicanalista experiente, sabe tratar dos temores da alma. — essa conversa ficou marcada na memória de Sasuke, pois ele se deu conta que a garota poderia jamais ter seus problemas resolvidos. Não que ele estivesse indisposto a suportar os traumas dela junto com a garota, mas ele acreditava que ela merecia alguém melhor do que ele para cuidar dela. Pois, sem dúvidas, ela era alguém que precisava de cuidados. E sem ter onde cair morto, duvidava de sua capacidade.

Além disso, por diversas vezes, ele pensava se aquele lugar não piorava a situação da menina. Depois de crescidos, já capazes de entenderem algumas coisas que aconteciam à volta deles, perceberam que a Tsunade e Shizune não eram as pessoas mais amorosas do mundo. Eles reclamavam que eram rigorosas, mandonas, mesquinhas, egoístas, e mais um monte de adjetivos pejorativos. O orfanato, apesar de ter dado um teto àquelas crianças, não era tão adorado por elas. E ainda havia um rumor circulando entre eles de que quando alguém vinha para adotar uma criança, estavam apenas levando uma mercadoria. Pois elas eram vendidas pelas donas da casa. Mas ninguém sabia ao certo se aquele rumor era mesmo verdadeiro ou não. Além disso, havia outra questão que os incomodavam; as duas exploravam a timidez da Karin, mandando-a fazer tarefas pesadas e, às vezes, até mesmo perigosa para uma criança — como mexer em panelas ao fogo, e passar roupas com panelas cheias de água fervente.

Mais tarde, contudo, Sasuke compreendeu que as donas da casa não eram exatamente pessoas más. Eram apenas duas velhas rabugentas, de mal com a vida, porque não tinham apoio financeiro para sustentar aquele bando de crianças abandonadas. Às vezes, faltava comida para todas elas, nem sempre tinham roupas limpas, lençóis perfumados, mas sempre tinham contas altas a pagar... Elas faziam o que podiam entre os nervos à flor da pele, com todo aquele estresse que os problemas lhes causavam. Quando cresceram, os, então, jovens, passaram a ajudá-las com as tarefas.

A verdade é que todos tiveram uma vida um tanto complicada.

Até que um homem muito bem vestido e sério, entrou no casarão acompanhado por três homens que vestiam ternos pretos. Eram assustadores, metiam medo e todos pressentiram que algo aconteceria a partir daquele dia. Os residentes os observaram entrar no escritório da Tsunade acompanhados pelas duas senhoras, cheios de expectativa. E tão logo a porta foi fechada, todos começaram a especular o que estariam fazendo ali. Comprar o casarão, ou algum deles?

Nada se ouvia por trás da porta. Eles permaneceram trancados por duas horas infindáveis. Até que Tsunade chamou Sasuke e Itachi para entrarem na sala. Os dois se entreolharam estranhando o chamado, mas assim o fizeram sem dizer uma palavra. O restante que permaneceu do lado de fora ficou apreensivos, nervosos. Karin começou a roer a unha, e eu lhe dei a mão para ampará-la.

Do lado de dentro, o clima era o mesmo; tensão, nervosismo e curiosidade. O homem que parecia comandar o grupo estava sentado na cadeira em frente à mesa da Tsunade. Quando os garotos entraram, ele se levantou e os fitou por um bom tempo, exatamente como quem analisa uma mercadoria para averiguar se continha algum defeito ou não. E por fim, disse:

— Vamos para casa, meninos. — o homem iria levá-los.
— Nós já estamos em casa. — Itachi esbravejou.
— Itachi! — a velha Shizune se levantou da cadeira, e começou a se desculpar pelos modos do rapaz que, por acaso, era o mais velho dos órfãos.

O homem estreitou os olhos para o jovem rapaz, e sorriu de maneira sinistra.

— Vocês dois são irmãos de sangue, e devem se manter unidos. É o que eu penso. Por isso estou levando os dois, se não levaria apenas o mais novo.

Diante daquela revelação inesperada, os dois se olharam como se não pudessem acreditar naquilo. Eles não tinham nada um contra o outro, mas Sasuke não diria que a relação deles fosse fraternal, apesar de todos verem Itachi como o irmão mais velho e sábio do grupo.  Eles apenas eram indiferentes, um para o outro. Então, não disseram nada, apenas baixaram a cabeça, consentido a decisão do homem. Afinal, depois de muito tempo, mais alguém se prontificava a levar o Sasuke do orfanato.

Tornou-se regra de ouro que, quando alguém era levado da casa, não era permitido fazer reclamações. Tsunade dizia que eles deveriam se sentir abençoados e sortudos por terem alguém que os queira. Ainda mais na idade em que ambos se encontravam. Sasuke com dezesseis, Itachi com vinte — a maioridade, nessa época, era considerada aos vinte e cinco anos.

Apesar dos maus momentos, Sasuke ainda lamentou consigo mesmo sair do orfanato. Não queria deixar Naruto, nem esquecer Karin. Ele também gostava dos outros. Gaara, Neji, Shikamaru, Sai, Deidara, Sasori, Tenten, Ino, Hotaru, Hinata... Mas, desta vez, ele jurou a si mesmo que não seria devolvido. Quando subiu na bela carruagem do velho senhor, ele prometeu a si mesmo que, se voltaria, seria para ajudá-los, custe o que custasse.

E ele tencionou fazer isso do fundo do coração. Mas a mudança na vida dele dera um giro tão grande e inesperado que, quando percebeu, já era tarde demais para fazer qualquer coisa pelos irmãos do orfanato.

Mais uma tragédia explodiu sobre as costas do rapaz.

Cinco anos se passaram sem que ele tivesse voltado ao orfanato para visitar os antigos companheiros. Era final de Dezembro de 1912. Sasuke já era um homem de vinte e um anos, e se tornara uma pessoa completamente diferente do que antes era. Aquele homem que o levou, junto com Itachi, nada mais era que dono de uma família muito importante do país. Tinha influencias que Sasuke ainda desconhecia, e fazia menos ideia ainda de quanto poder ele tinha. Mas por isso, no entanto, os meninos adquiriram alguns privilégios que jamais sonhariam em ter, se tivessem permanecido no orfanato. Estudaram na melhor escola, aprenderam os gracejos das artes, técnicas de etiqueta, aprenderam outras línguas. Itachi estava terminando a faculdade de administração, e ainda encarregava seu tempo livre com ciências políticas, enquanto Sasuke o seguia logo atrás, em direção ao mesmo futuro que o irmão.

O homem que os adotou não tinha filhos. Tinha câncer no pulmão, e desejava passar seu legado para um herdeiro. Como não confiava em mais ninguém, resolveu treinar os meninos, transformá-los em seu sucessor, e entregar seus negócios nas mãos bem treinadas do que obtivesse maior êxito.

Sasuke estava tranquilo quanto a isso. Ele não almejava alcançar o topo da liderança em nada. Para ele bastava ter um lugar para ficar e ter alguém para dedicar a sua vida — coisa que ele ainda não tinha conseguido, desde então.

No final daquele mesmo ano, enquanto voltava da faculdade com os pés arrastando pelas ruas, pois dispensara a charrete que tinha a sua disposição, ele resolveu passar em frente ao orfanato na esperança de rever os velhos amigos — embora não tivesse certeza do que dizer a eles. Era provável até que não morassem mais lá, mas Sasuke acreditava que algum dos meninos havia de ter permanecido no casarão, tomando conta das duas velhas rabugentas já que ainda não teriam atingido a maioridade.

No entanto, chegando lá, encontrou o casarão aos pedaços, parcialmente demolido. O rapaz ficou um longo tempo fitando aquele cenário, completamente imóvel. Até prendera a respiração por alguns segundos, tamanha era sua incredulidade. Havia tijolos jogados por todos os lados, algumas paredes demolidas, e o teto completamente desfeito. A árvore em que Itachi e Deidara montaram um balanço com corda e pedaço de madeira estava derrubada no chão. Parecia que alguém havia jogado uma granada de dinamite no terreno.

Toda sua infância se passou diante dos seus olhos. Naruto correndo atrás dele, na brincadeira de pega-pega, com as outras crianças. Viu também Skikamaru fazendo corpo mole para arrumar a cama. Gaara resmungando por ninguém lhe dar muita atenção. Shino brincando de arrancar patas de insetos. Deidara mexendo na terra molhada, moldando bonecos de areia. Ino juntando flores do jardim mal cuidado da casa junto com Tenten, que brincava com tesouras de poda. Viu até mesmo Itachi, seu irmão, empurrando Sasori numa caixa de papelão, como se fosse um trenó. E Karin, pequena, indefesa, assustada e tímida, encurralada no seu canto apenas observando.

O que aconteceu com todos eles?
Quando tentou perguntar o que acontecera a um senhor que passava pela calçada, a notícia o surpreendeu.

— Houve uma espécie de motim há uns anos atrás. Alguns homens chegaram em carros pretos, atirando para todos os lados. — o velho disse, e Sasuke ficou pasmo.
— Quem eram?
— Dizem que da máfia, mas não sabem ao certo. A polícia nunca encontrou os culpados.
— Todos morreram?
— Não, nem todos; alguns foram levados com os homens. Mas é dito que as donas do orfanato morreram. — o senhor, curioso com as perguntas do rapaz, o olhou da cabeça aos pés — Você morava aqui, meu jovem? — Sasuke parecia entorpecido. Olhou cautelosamente para o senhor de aparência frágil. Mas ele bem sabia que as aparências enganavam.
— Não... Não tenho nada a ver com o orfanato.

O rapaz virou as costas e caminhou pelo caminho do qual seguira até ali. Naquele mesmo instante em que virou a esquina, trincou a mandíbula como um ato simbólico. Fechou-se dentro de sua mente para mastigar bem aquela informação, e refazer seus planos. Ele não fazia idéia de quem poderia ter feito aquilo, mas tinha toda a convicção de que iria se vingar. Isso, até chegar ao casarão e encontrar o corpo do homem que o adotou caído no chão da entrada, entre mais três corpos — homens que sempre o acompanhava. Havia sangue espalhado por baixo dos homens, e Itachi sorria para o irmão do topo das escadas, no hall.

— Desculpa, mano. Você pode não ter ambições, mas eu tenho. — e, então, ouviu o ruído de um gatilho sendo disparado.”

Sakura deixou uma lágrima escapar dos olhos.  

—Por que está chorando? Você sabe que a historia não acaba por aí...  — lhe digo num tom meio amargo, meio rabugento.

4 comentários:

  1. Ah! Então você está viva? u-u já tinha até um memorial à você no meu profile.. hahahaha brincadeira!
    Mas enfim, eu realmente gostei da fic! É algo diferente do que você fez até agora. Inovar é bom, mas eu acho que você deveria concluir algumas fics antes de começar uma nova, ainda mais que você está sem tempo. Inspiração e o gênero comédia (sim, estou me referindo à Incógnita u_u ) ser mais difícil de escrever contam bastante na sua escolha de continuar ou não, fics antigas, né?
    Mas eu gostei sim, e se você acha que é melhor escrever sobre essa do que outras, os fãs ficam felizes do mesmo jeito.. hsauhsuahsuahs xD

    Beijos.

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  2. oieee! bha, já tavam me sepultando, então.... T___T

    Mas então, eu bem que queria conseguir inspiração pra continuar as minhas fic de comédia, mas ultimamente, realmente, não ando com humor pra isso. >___< o estresse do dia-a-dia me deixa muito mais dramática! infelizmente. mas eu pretendo (continuo dizendo isso!) não abandonar nenhuma dos meus "filhos". Um dia, ei de terminar todos eles! T___T eu nao tava pretendendo escrever outra fic, mas como as minhas fics inacabadas só são as de comédias (as de drama, terminei todas \o/), e eu tava louca pra voltar a escrever, resolvi escrever né...mas só saiu drama... T__T

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  3. Amanuuuur!*---*
    Saudades de ti mulher...Sumiu,não deu mais sinal de vida..óoh! o Pessoal lá do Nyah tá com saudades em!Trate de voltar logo.Esses dias me bateu uma vontade de ler suas histórias,só que ai me lembrei que já li todas e que você deu uma parada (beeeeeeem longa) pra descansar(Prefiro dizer assim rs.)

    Beeeeeeeijos Seamo.

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  4. Amanuuuuuuur *----*

    Saudades de ti mulher,tu sumiu e não deu mais sinal de vida T__T .Óóh o pessoal do Nyah tá sentindo a sua falta em,volta logo.Esses dias me bateu aquela vontade de ler suas histórias,só que ai lembrei que já li todas.Você deu uma parada pra descansar (prefiro dizer assim rs)e não voltou mais! :\

    Óoh volta rápido em!

    ²beeijos e um joga pro vento! Seamo.

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