sexta-feira, 29 de junho de 2012

Contos


Comecei a me interessar um pouco mais por contos. São mais rápidos, mais versáteis, e sempre deixam uma brecha para o leitor imaginar mais. No entanto, nem por isso, significa que sejam mais fáceis de se escrever... Pelo contrário!


Para que não sabe, o conto é toda obra que cria um universo de seres e acontecimentos de ficção, mas de um modo muito mais sucinto do que o romance. Ele se define pela sua pequena extensão; mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. De acordo com o Wikipedia, num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.


Para se aventurar num conto, basta pensar no seguinte. Todo mundo conta histórias — o que aconteceu em tal viajem, durante o almoço, o que aconteceu numa festa, num passeio... Tudo isso são contos. Os personagens vivem o momento, sem uma visão do passado ou futuro dele.

A página do Wikipedia traz um pensamento do Mempo Giardinelli, que achei bem interessante: "Sustento sempre que o conto é o gênero literário mais moderno e que maior vitalidade possui, pela simples razão que as pessoas jamais deixarão de contar o que se passa, nem de interessar-se pelo que lhes contam bem contado".


Há algumas regras, digamos assim, a que torna o texto num conto. A começar pela sua forma, onde se tem a expressão ou linguagem mais os elementos concretos e estruturados, como as palavras e as frases. Ou seja, não há muita enrolação, muito desenvolvimento. Num conto, ainda temo o conteúdo: que é imaterial (fixado e carregado pela forma); a história são as personagens e suas ações imediatas.

Há contos de Machado de Assis, de Katherine Mansfield, de José J. Veiga, de Tchecov, de Clarice Lispector, por exemplo, que não são "contáveis", não há "nada" acontecendo. O essencial está no "ar", na atmosfera, na forma de narrar, no "estilo". No livro "Que é a literatura?" de Jean-Paul Sartre diz que "ninguém é escritor por haver decidido dizer certas coisas, mas por haver decidido dizê-las de determinado modo. E o "estilo", decerto, é o que determina o valor da prosa".

O conto necessita de tensão, ritmo, o imprevisto dentro dos parâmetros previstos, unidade, compactação, concisão, conflito, início, meio e fim; o passado e o futuro têm significado menor. O "flashback" pode acontecer, mas só se absolutamente necessário, mesmo assim da forma mais curta possível.

E, por fim, temos o desfecho; um final enigmático ou não. Até o fim do século XIX, era muito importante que o final fosse o ponto principal do conto, era imprescindível  o final surpreendente (o fechamento com "chave de ouro", como se dizia). Hoje em dia tem pouca importância; alguns críticos e escritores acham-no perfeitamente dispensável. Mesmo assim não há como negar que o final no conto é sempre mais carregado de tensão do que no romance ou na novela e que um bom final é fundamental no gênero. "Eu diria que o que opera no conto desde o começo é a noção de fim. Tudo chama, tudo convoca a um "final" (Antonio Skármeta, Assim se escreve um conto).

Neste gênero, como afirmou Tchecov, é melhor não dizer o suficiente do que dizer demais. Para não dizer demais é melhor, então, "sugerir" como se tivesse de haver um certo "silêncio" entremeando o texto, sustentando a intriga, mantendo a tensão.

Com relação aos diálogos, só podemos dizer que são de suma importância; sem eles não há discórdia, conflito — fundamentais ao gênero. A melhor forma de se informar é através dos diálogos; mesmo no conto em que o ingrediente narrativo seja importante. "A função do diálogo é expor." (Henry James, 1843-1916).


No mais, basta ter criatividade. Mas uma dica importante que ainda posso lhes dar é a seguinte: sempre que escreverem algo, tentem pensar em algo que vocês já vivenciaram. É muito mais fácil quando se escreve sobre algo que conhecemos, do que sobre algo que nunca vimos ou sentimos, não concordam? Além de enriquecer mais o texto, isso traz mais verossimilhança ao conteúdo. 

;)

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