sábado, 23 de junho de 2012

Best Sellers: Bons ou Ruins?







Preciso fazer mais um desabafo...

Nos últimos anos, eu diria que começou por volta dos anos 2000, houve um BOOM no mercado editorial. Até então, não se via tantos livros assim nas prateleiras das lojas. O negócio está tão intenso, que até lojas, que antes eram mais focadas na venda de eletrodomésticos, estão oferecendo livros também. Vide a Ponto Frio, lojas Americanas, até Supermercados! Hoje fui no Zaffari (rede dominante que há aqui em Porto Alegre) que tem aqui perto da minha casa, e levei um susto com a prateleira enorme que colocaram lá. Ela é novinha e estava repleta de best-sellers.

Enfim, para quem não sabe, essa "explosão" de livros se deu graças à criação de editoras independentes. Antigamente, as grandes editoras estavam mais interessadas em publicar livros de escritores renomados. Afinal, a venda e lucro era mais garantida. Mas lá pelas tantas, graças, também, ao advento da internet — que contribuiu para que as pessoas se tornassem mais leitoras e escritoras, através de sites e blogs — as pessoas, frustradas por não poderem ter seus livros publicados, resolveram abrir suas próprias editoras. E foi mais ou menos por aí que a coisa foi andando...

Bom, o que quero dizer é que, com isso, hoje temos uma enxurrada de livros caindo nas nossas cabeças. Consequentemente, temos também mais um bando de críticos em nossas costas, como urubus que vão atrás de carniça. Ou seja, loucos para apontar o que é "podre" e o que não é.

Eu me aderi à várias páginas no facebook de grupos literários, e um deles costuma postar fotos das coleções de livros dos membros do grupo. Bem, como vocês podem imaginar, o que mais se encontra são o best-sellers, que sempre vêm acompanhado por um comentário de algum pseudo-critico literário do tipo:

"Só porcaria..."

¬¬

Certas pessoas merecem levar uma bela de uma resposta do tipo "tomate cru".

Gente, não existe leitura ruim! O que existe é leitura reflexiva, e leitura não reflexiva. De fato esses best-sellers se enquadram na segunda categoria. São livros de entretenimento, como eu digo. Mas JAMAIS podem ser considerados ruins.

As pessoas precisam entender que estamos na Contemporaneidade, e que essa é o tipo de literatura da nossa época. Uma época em que as pessoas têm menos tempo para ler, e por isso precisam de leituras rápidas, práticas; as pessoas não têm tempo para pensar e refletir sobre o que estão lendo. Vivemos numa época em que homens e mulheres passam o dia inteiro fora de suas casas trabalhando, e que mal conseguem cuidar dos filhos! E para isso, é necessário que haja uma linguagem mais coloquial nas páginas, para que a interpretação seja rápida e certeira.

Além disso, há outro ponto a se considerar. Se vocês estudarem um pouco de história da literatura, vão ver que até o próprio Shakespeare, na época em que escrevia suas peças, era "tachado" de ruim. Mas não me entendam mal, ler livros clássicos, livros reflexivos, realmente é melhor. Eles ampliam não somente nosso vocabulários, como abrem fronteiras para o mundo exterior. Eles nos dão novos pontos de vista sobre assuntos que eram de suma importância antigamente, e que perduram ainda hoje. Eles nos ajudam a entender o por que da sociedade atual ser como ela é. Ajuda-nos a entendermos quem somos, com quem estamos, e ainda nos trás cultura e conhecimentos.

Só que as pessoas, infelizmente, têm o costume de valorizar somente o que é antigo — e eu arrisco a dizer que isso é uma visão equivoca. Vejam, por exemplo, a internet. Uma maravilha! A própria explosão de livros veio a agregar muito. Graças a isso temos mais leitores e mais escritores — coisa que não se podia sonhar no século passado. As pessoas estão se tornando mais informadas e mais críticas (acho que, mesmo que se faça críticas equivocadas, só o fato de a pessoa querer expor sua opinião já significa um progresso, pois indica que ela leu alguma coisa sobre o assunto).

Além disso, uma coisa que costumo dizer sempre: a leitura ajuda, e MUITO, na organização do raciocínio, na escrita, e amplia nosso vocabulário. Seja QUAL FOR. Vale ler até informações nutricionais de embalagens de salgadinhos.

Uma das funções da literatura é nos transpor para outros mundos, fugir da realidade; é trabalhar com o nosso imaginário. Alguém se frustou nesses termos lendo Harry Potter? Quem não conseguiu visualizar o menino com sua varinha, dentro daquele casarão maluco, com escadas que se movem?

Então, por que best-sellers são ruins? Alguém me diz?


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