segunda-feira, 30 de abril de 2012

Anime: Gosick


Título em Japonês: GOSICK
Categoria: Série TV.
Episódios: 24.
Produtores: Bones.
Gênero: Mistério, Shounen, Aventura.
Duração: 23 min. por episódio.


Sinopse: A história é sobre os casos resolvidos por uma garota esperta e bonita chamada Victorique, na companhia do japonês Amano Sakuya estudando no exterior. Parecida com a personagem Miss Marple, Victorica consegue solucionar os casos apenas com os fatos sem precisar estar no local do crime.





Mais uma vez, fui impulsionada pela "fofurisse" da arte. T_T
Bom, pela sinopse, já se pode ter uma ideia do que é Gosick; um anime de mistério, com muitas investigações. 

A estória se passa, inicialmente, numa grande escola de elite, chamada Academia Santa Margarida, uma escola conceituada da Europa, na perspectiva de um menino japonês, que ganha uma bolsa de estudos na escola. Logo no início, ele já se mostra um menino doce, mas que teve uma rigorosa educação em casa. Sempre que pode, ele afirma com certo orgulho que é o terceiro filho de um Soldado, e que precisa atingir as perspectivas do pai retornando com honra para o seu país. Percebemos por meios de pequenos flashbacks da personagem que ele sente ciúmes dos irmãos mais velhos, que parecem ter a preferência do pai. E por isso, ele se sente meio solitário, tanto naquela escola nova, quanto antigamente em seu lar.




Por causa da sua aparência física (olhos puxados, e cabelo escuro), ele ainda adquire o apelido de Ceifador Negro, conforme diz uma das lendas que percorre na acadêmia. E isso contribui ainda mais no isolamento dele, com relação ao restante da turma que o teme.

Aliás, uma das coisas mais bacanas sobre Gosick é que está recheada de lendas. E uma delas, inclusive, se refere à fada dourada, uma criatura maligna que suga almas das pessoas e vive no topo de uma torre; que, no caso, seria a biblioteca da escola. Mas essa, na verdade, é Victorika — uma menina baixinha, com cabelos longos e dourados como os raios do sol, e olhos verdes como a esmeralda. E para piorar a entonação do apelido que ela recebe,  Victorika é proibida de sair da biblioteca. A menina passa o tempo todo rodeada de livros, com a incumbência de adquirir cada vez mais conhecimentos. 




E Kazuya Kujo, o japonês, por acaso, é um dos poucos alunos que a vê. Ele procurava um livro, pois tinha o hábito de ler, e resolveu subir todos os degraus da biblioteca, até o ultimo andar. Lá ele encontra uma espécie de um pequeno jardim botânico suspenso, e uma grande boneca de cabelos dourados — que na verdade era a Victorika. Isso aumenta o mistério sobre a menina, pois percebemos que ela não é exatamente normal. Há uma estória por trás dessa lenda que se reflete no passado dela, e que vai sendo desenrolado ao expectador aos poucos.

A menina, então, que tem voz e determinação de mulher, se aproveita da ousadia de Kujo (ou talvez tolisse) e resolve usá-lo para quebrar seu tédio. Afinal, ela vivia ali sem nenhuma, ou muito pouca interação com o mundo exterior. Tudo o que ela sabia provinha de seus livros.




Mas tão logo ele vira seu "brinquedo", e conhece o inspetor Grevil (mais um que vai para a lista de cabeludos *_*)que aparece no jardim procurando por Victorika. Grevil assusta um pouco no inicio com seu penteado exótico; um enorme (e ridículo!) topete enroscado. O detetive pede ajuda à Victorika para resolver um caso que caiu em sua juridição, mas não estava conseguindo solucioná-lo. É a partir de então, que Victorika vai mostrando ao expectador todo o seu potencial.

Ela é inteligente, e junta todas as peças do crime para solucionar os casos. Lembrei um pouco de Death Note, que fazia isso, mas me decepcionei em certos pontos. Havia episódios em que os casos eram solucionados meio que na base da adivinhação, e não na junção de fatores e evidências — o que descaracteriza o gênero "investigação". Acho que o anime se propõem fortemente a ser isso... Mas de qualquer forma, não tornou o anime desinteressante. De modo algum! Me peguei atenta aos casos em todos os episódios. Acho que as estorias foram muito bem articuladas, pois no final percebemos que todos os casos solucionados, que apareciam separadamente, independente um do outro, na verdade, tinham uma conexão.




E Kujo, então, meio que de sopetão (mas não tão grande quanto o do inspetor), se mete das investigações e passa a seguir os passos de Victorika nos casos, por que ela é a única que não demonstra ter medo dele. E, então, assim, aos poucos, o relacionamento entre os dois vai se desenvolvendo, até que se tornam grandes amigos. É ele quem ensina a ela o valor que uma pessoa tem, e a importância de se ter alguém ao seu lado, pois até então ela desconhecia o que era amor, amizade, e todo o tipo de vínculo emocional que poderia ter.

Victórika, na verdade, é uma personagem que, com o desenrolar da trama o expectador descobre que guarda um grande segredo. Apensar do forte ar de lolita (com todos aqueles babados e cara de boneca), ela é completamente diferente do que representa. Ela é solitária, mas com uma personalidade muito forte, e por isso tende a ser meio arrogante, metida, mimada, mandona...Mas Kujo vai quebrando aos poucos a "casca" que faz com que a menina se pareça, de fato, com uma boneca, desprovida de sentimentos. E a cada episódio ela se humaniza mais. 




E, em compensação, Kujo percebe que não precisa da aprovação do pai para ser ele mesmo; basta ter alguém que o aceite ao seu lado.

Bom, falando de um aspecto mais geral do anime, é importante ressaltar que a história se passa no ano de 1924. Portanto, todo o ambiente carrega esse ar clássico entre as vestimentas das personagens, e as construções dos cenários. Outro detalhe que não pode passar despercebido nos comentários aqui é sobre a linguagem utilizada pelas personagens. Nada mais do que justo e condizente com a estoria, que eles falassem com sotaque menos coloquial, numa linguagem mais culta. E isso, claro, se reflete na dublagem do anime também. Confesso que, particularmente, eu adoro animes de época, e já vi outros em que isso não acontecia. É um detalhe que faz falta, que dá um toque a mais, na minha opinião. Afinal, o refinamento de uma obra está nos detalhes, não é mesmo? ;)




Além disso, o anime se mantém fiel aos costumes e maneiras de agir da época. Também é válido ressaltar que a estória faz conexões com a primeira guerra mundial, e achei isso bárbaro! Trouxe mais veracidade para o enredo, e o tornou mais consistente em termos de conteúdo. 

Enfim, o anime possui um toque de mistério e comédia básica, com um pouco romance numa época clássica. A história que envolve Victorika e Kujo é bonita, e gostei bastante como as coisas foram reveladas e desenvolvidas aos poucos. Foi um quebra-cabeças simples, mas a estória em si, acho que é mais complexa — o que deu um balanceamento muito bom para o anime.




Eu dei uma pincelada muito superficial na estoria para não estragar a surpresa de quem se interessar pelo anime. Acho que ando dando muitos spoilers nos meus comentários, e preciso rever isso T_T. Ou seja, há muito mais na estória do que eu contei. Também não falei sobre os outros personagens, que são bastante secundários, mas que, claro, tem sua importância na trama. Além de ajudarem no desenvolver do relacionamento entre Kujo e Victorika, alguns são responsáveis pelas cenas cômicas.

Eu recomendo o anime para quem gosta de investigação e mistério. Apesar de não ser daqueles mistérios que te faz roer as unhas, a maneira com as ações seguem te prende à tela. Na verdade, vi alguém fazer relação do anime com Sherlock Holmes. Victorika é inteligente, sagaz, sarcástica e usa um cachimbo. Kujo seria um Watsom bobo, mas um ótimo ajudante que recebe seus próprios casos para resolver... Quanto ao enredo em si, já não sei, pois ainda não tive oportunidade de ler as estorias de Sherlock, mas achei interessante a observação...



Bom, deixei o resto do post "escondido" pois ficaria muito gigantesco com as imagens. Gosick tem uma das aberturas mais bonitas que já vi, e não resisti pegar imagens dela que encontrei T_T A abertura segue no estilo Art Nouveau, conforme já comentei aqui. Aliás, no próprio anime, mostram vários cartazes de divulgações de peças teatrais, que fazem parte das investigações, nesse estilo. Na verdade, 1924 corresponde ao final da época do Art Nouveau...







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