quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Oceano

Durante a viagem, escrevi um conto inspirado em um dos dias que passei na praia... Resolvi postar aqui, ao invés de deixar no Nyah, por que não sei muito se gosto dele ou não... prefiro deixar meus melhores lá... mas enfim, gostei da capa! :)


Disclaimer:A imagem é meramente ilustrativa. Serve somente como mera representação física(realista) dos personagens. Nenhuma destas pessoas possui vínculo algum com o texto.
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Sem fins lucrativos! 
As personagens não me pertecem. 
Fic oneshot SasuxSaku.
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Gênero: Drama.
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Divirtam-se.






Oceano
By Amanur

Capítulo único

Isso aconteceu no verão de 1995. Eu tinha dezesseis anos, e estava na casa de praia do meu tio, com mais três amigos. A casa ficava na beira do mar, numa praia meio deserta, onde só quem morava no local a frequentava. Era uma quinta feira, quatro da tarde, quando resolvemos jogar bola na areia. O sol estava a pino, queimando a pele. O vento fresco, no entanto, amenizava o calor e anestesiava a queimação. O mar estava calmo, como sempre. Havia meia dúzia de pessoas em nosso campo de visão. E ela era uma delas — um pedaço do céu na Terra. Uma ilusão do deserto do Saara — se não fosse pelo mar.

Tomava banho de sol, deitada numa esteira de polipropileno. Vestia um biquíni pequeno, com uma estampa florida em preto e branco. Não havia como não notá-la ali. Pois além das curvas, o cabelo cor de rosa se destacava. Ela parecia uma pintura em contraste com o azul do mar e o branco da areia e seu pequeno biquíni.

Começamos a chutar a bola um para o outro, sem grandes pretensões. Queríamos apenas matar o tempo e o marasmo da estadia de duas semanas que aquela casa havia nos causado. A bola começou a rolar timidamente, enquanto nós quatro olhávamos de canto para ela. A moça estava deitada de bruços, escondendo o rosto. Não havia nos notado ainda. Depois de uns quinze minutos, com a bola rolando sem muita empolgação, ela se virou. Imediatamente, a bola adquiriu vida. Saiu rolando com mais força e velocidade, enquanto começamos a berrar um para o outro, fingindo a descontração nos músculos tensionados em hormônios. Nós quatro começamos a exibir nossas habilidades toscas com a bola nos pés, como se nossa vida dependesse daquilo. Era um pseudo mini concurso, que havíamos nos colocado silenciosamente, para conseguir a atenção da moça como prêmio.

Só que ela parecia não dar a mínima para nós. Sequer havia notado nossa gritaria.

Aos poucos, os rapazes foram desistindo, um por um. Além de muita areia para o nosso caminhão, ela parecia ser mais velha, mais experiente, mais sábia, e mais uma infinidade incalculável de coisas fora do nosso alcance. 

A bola que tínhamos aos nossos pés era de vôlei, por que meu irmão havia rasgado a minha bola de futebol. Assim sendo, mergulhamos na água, depois que fomos vencidos pelo cansaço, e passamos a jogar a bola com as mãos. Meia hora deve ter se passado, quando notei que a moça, ainda na areia em sua esteira, estava sentada olhando para nós por cima dos seus óculos de sol estiloso.

Neji era o mais sortudo dentre os quatro. Cabeludo, alto, porte físico atleta, era quem mais chamava a atenção das garotas da escola. Além dele, tinha o Naruto, loiro que fazia qualquer menina idiota derreter pelos olhos azuis. E o Gaara, ruivo em olhos verdes que também chamava atenção, e também me deixava no chinelo. Dentre todos eles, eu era o que menos tinha chances com meu porte físico não muito atraente, olhos negros sem graça e cabelos lambidos, pretendendo deixá-los crescer.

Mas por que eu tinha a impressão de que ela olhava para mim, somente?

— Acho que acordou com o pé direito, Uchiha.  — Neji me disse, dando tapinhas em meu ombro.
— Talvez eu lembre alguém que ela conheça. — dei de ombros. Qualquer outra possibilidade me parecia fora de questão.

Continuamos jogar vôlei, dentro d’água. Até que, numa dessas, propositalmente, Naruto sacou a bola com força total, fazendo-a parar ao lado da moça.

— Ops. Vai lá buscar a bola, Sasuke. — o loiro cretino ainda exibia um forte sorriso, exibindo os dentes.

Revirei os olhos, praguejando mil e uma maldições.
Eu mal tinha barba no rosto e, por isso, minha autoconfiança era ridícula. Mas o que eu estava temendo? O futuro era certo. Eu iria até lá, me abaixaria para pegar a bola, lhe daria as costas, e retornaria para a água, e fim de papo. Não tinha por que outra coisa acontecer.

Sai do mar, balançando a cabeça para tirar o excesso de água dos cabelos, enquanto caminhava em passos tranquilos e firmes em direção à bola. Olhava para a minha sombra, vendo meus dedos do pé afundar na areia branca e fofa, a cada passo enquanto ela grudava na pele molhada. Quando cheguei ao local onde a bola deveria, mas não estava, percebi que ela a segurava, olhando para mim.

— O vento a trouxe. — me disse, com um sorriso amigável.

De perto, a garota era ainda mais pitoresca. Tinha olhos verdes, lábios rosados e levemente carnudos, e sua voz parecia ter saído de um musical.

— Desculpe. — balbuciei, pegando de volta a bola, enquanto ela oferecia mais um sorriso complacente.

Voltei para o mar em passos trêmulos, incertos, mas esperançosos. Contudo, nem um dos meninos parecia ter visto o que aconteceu. Eles falavam sobre um passeio de jet-ski, que havia do outro lado da praia. Quando olhei de volta para a areia, a moça não estava mais lá. Foi como se não tivesse passado de uma ilusão.

À noite, depois do jantar, os meninos se empoleiraram no sofá da sala para assistirem um filme e comer pipoca. Mas eu não estava muito afim daquilo, por que não conseguia tirar a voz daquela moça dos ouvidos. Apenas uma pequena e inofensiva frase fez meu corpo inteiro estremecer e eu não entendia como isso era possível.

Deixei meus amigos fazendo farra, e fui dar uma volta na praia. A noite, era o melhor horário para se caminhar. A sensação da areia fria nos pés era boa, e a brisa da maresia ficava menos grudenta na pele. Sem falar que a solidão do mar era mais atraente aos meus olhos e ouvidos, já que detestava multidão. O mar sempre fora algo que me atraia de alguma forma, e à noite ele parecia ainda mais místico.

Caminhei o equivalente a sete quadras, pela beira do mar, sentindo a água gelada tocas de manso nos pés como uma suave carícia quando vi um corpo flutuar na água, mais ao longe, perto de um pequeno trapiche sem barcos por perto. Os cabelos longos espalhavam em volta da cabeça como uma mancha de sangue e, sem que eu percebesse, meus pés se moviam mar adentro. Mergulhei com roupa e tudo naquela água maldita, gelada e salgada, nadando meio torto, sem muita convicção do que era capaz. O corpo não estava muito longe da margem, de modo que não demorei muito a alcançar a mão. Mas assim que toquei a pele, o corpo se ergueu de repente como se adquirisse vida.

Aquela mesma garota me olhava incrédula, como se não entendesse o eu estava fazendo com sua mão.

— O que está fazendo? — ela perguntou. Mas não havia raiva, revolta, ou qualquer coisa parecida em seu tom de voz. Ela parecia muito tranquila, na verdade.
— Não sei. E você? O que está fazendo?
— Fingindo estar morta. — ela piscou duas vezes os olhos para mim, sem alterar a expressão.
— Por quê?
— Por que é muito cansativo viver. Não acha?
— Eu só tenho dezesseis anos. — achei apropriado dizer aquilo, por algum motivo. Como se eu não tivesse vivido o suficiente para responder sua pergunta. Mas eu não tinha certeza daquilo, por que, com certeza, me sentia cansado de crescer, e sabia que apenas estava começando.
— Quase trinta. — comentei.
— Quase trinta...

Só então percebi que ela parecia estar nua. Eu não via seu corpo por que somente a cabeça e parte do ombro estavam fora d’água, mas tive o forte pressentimento de que estava em frente a uma mulher nua. Era a primeira vez que isso me acontecia, e me senti levemente sufocado pela pressão.

— Você está sem roupas?

Ela apenas apontou para a margem, me mostrando um montinho de roupas no trapiche, que havia passado despercebido por minha caminhada.

— Por que está sem roupas?
— Para facilitar a decomposição.
— Mas você não pretendia mesmo se afogar. Certo?
— Só se você quiser.

Eu não entendi o que ela quis dizer com aquilo, e fitei aquele rosto perfeito sem expressão. Ela me olhava numa mistura de inocência e apatia, que eu nunca tinha experimentado antes.

— Tire as roupas também. — me disse.

Aqueles olhos verdes esmeraldas causariam inveja, gula e avareza em qualquer caçador de pedras preciosas. Eles enfeitiçavam. E como um bobo da corte eficiente, lhe obedeci sem objeções como se aquilo fosse o meu dever. Tirei minha camisa, minha bermuda jeans e a cueca boxer. Os deixei mergulhados, flutuando ao nosso lado como prova da minha submissão.

De mansinho, flutuando sobre a areia aos nossos pés, ela se aproximou. Com uma das mãos, segurou meu rosto e me beijou. Seus lábios estavam frios, me dando o beijo gelado da morte. Mas tudo o que se passava em minha mente era que eu era um palmo mais alto do que ela.

Seu lábio deslizou suavemente sobre os meus, sugou minha boca e penetrou uma língua escorregadia e morna misturando salivas e sugando minha alma. Senti seus seios nus roçar meu peito, enquanto deslizei a mão em sua cintura fina e macia num abraço reconfortante. Ela me abraçou de volta, como se dissesse que não me deixaria sozinho. E ficamos naquele vai-e-vem de línguas, junto com as ondas suaves do mar calmo daquela praia. Seu corpo se colou ao meu, e não percebi que adentrávamos o mar junto com aquela explosão de sensações que me invadia.

Só que não era apenas as sensações que me invadiam. A água salgada também. Ela entrava por todos os poros da pele, até encher meu corpo inteiro com o frio e o silêncio da Dona Morte, que me convidava, me induzia e conduzia a conhecer as profundezas do oceano.

8 comentários:

  1. Noooooooooooooooossa!

    Fiquei comovida com esse one. Nem pisquei quando eu li.

    Como sempre, arrasando Amanur!

    Ja ne!

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  2. nhaaa! T_T que bom que gostou querida! ja fico contente por saber que pelo menos uma pessoa leu! T_T auihauiai
    bjss :***********

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  3. Yooo!
    Muito incrivel a one!
    Está de parabens!
    Kissus Ja ne

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  4. oie, Estrelinhakat!!! que bom que gostou, querida! T_T agradeço por ler e comentar, viu?! bjss :***********

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  5. kkk Amo suas fanfics, como não gostar! Ah, att logo Dirty? Estou curiosíssima para ler o restante. Hehe.

    Ja ne!

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  6. olá, liilly, sobre a dirty, nao sei te responder quando sairá o proximo, pois minha co-autoria está com alguns probleminhas. mas assim que der postaremos sim! ;)
    bjss :**********

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  7. Olá! Eu sou uma admiradora de suas hitórias, sempre leio e adoro cada história. Agora eu estou lendo Ilusões. E essa one eu gostei muito, de verdade! Me lembrou piratas do caribe 4, quando as sereias conseguiam 'fisgar' um dos marinheiros e os levar para as profundezas do oceano. Só por curiosidade, há alguma conecção ? hihi

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  8. Oi ana! Agradeço por ler e comentar! fico feliz por saber que tenhas gostado da estória! :D
    A unica conexão que eu fiz da estoria com alguma coisa, foi a parte dos meninos jogando bola, quando vira a moça. Não sei se tu soube, mas passei duas semanas na praia, e dai veio a idéia vendo uns meninos jogando bola. Mas o filme nao tem nada a ver. Até por que, eu pensava nela como sendo a Dona morte, e não sereias. Mas gostei da tua comparação, sim. :)
    bjss :************

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