sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Anime: Basilisk



Basilisk: Koga Ninpou Chou
Total de episódios: 24
Gênero: Ação, Drama, Ajustes Históricos
Ano de Lançamento: 2005
Estúdio: GONZO DIGIMATION
(informações retirada do Hinata-sou)

Eu, sendo alguém que escreve estórias derivadas de animes/ mangás, acho mais do que justo e apropriado falar aqui, também, sobre o assunto. Então, resolvi postar meus comentários a cerca dos animes/ mangás que estou vendo/lendo. 

E vou começar pelo Basilisk. Apesar de eu já ter postado imagens do anime naquele post sobre cabeludos, eu só comecei a ver o anime mesmo essa semana. Eu já tinha assistido alguns episódios há uns dois anos atrás, quando ele passava em algum canal da tv fechada (que não lembro agora qual), e me interessei bastante. Tem bastante ação e sangue! :D Detesto quando cortam as cenas em que o sangue aparece; torna tudo tão falso...

Enfim, acabei de assistir todos os episódios. Para quem gosta da cultura japonesa, esse anime é recomendadíssimo. Ele se passa na época do Japão feudal, quando clãs exerciam grande poder. Eles fantasiam um pouco com as técnicas ninjas, mas são muito mais próximos da realidade do que em Naruto, por exemplo.


Em Basilisk, o povo estava sob o governo de Ieyasu Tokugawa, próximo do novo xogun. Os dois herdeiros de Ieyasu estavam disputando quem seria o sucessor e isso estaria comprometendo toda a estrutura da nova dinastia. Para evitar que isso acontecesse, dois dos maiores clãs de ninjas da região — Clã do Vale de Kouga Manji e o Clã Secreto Tsuba Iga — escolheram 10 ninjas, cada um, para uma batalha. Cada clã estaria representando um sucessor e, aquele que vencesse, decidiria o novo sucessor. Com isso, Ieyasu Tokugawa evitaria de perder soldados e usaria os clãs como soldadinhos do seu jogo governamental.

Eu confesso que não gostei muito do modo como as personagens são apresentadas ao público. O nome deles aparecia na tela como uma marca registrada. Tive medo de não conseguir captar os nomes deles, mas, depois, com o desenrolar da trama, consegui memorizar quem era quem.

Mas o foco do anime é o enredo — *duh!* Hehe... Esse dois clãs rivais viviam às custas de um tratado forçado de paz — pois há mais de 400 anos eles viviam em pé de guerra. Logo no início da história, esse tratado é quebrado e os clãs voltam a guerrear. Nisso, obviamente, muito sangue é derramado, pessoas são feridas e mortas. E é aí que faço minha marcação. Eu, pelo menos, nunca tinha visto um anime, ou mesmo um filme (confesso que não sou grande fã de filmes de guerras para fazer tal comparação, mas enfim...), que abordasse a questão da guerra tão delicadamente. Eles mostram divinamente como todas as partes se sentem com suas perdas; seus familiares, amores, amigos... Pela forma como é tratada, é quase como se não houvesse um vilão na história (mas há!). Os dois clãs foram vítimas da história de ódio que herdaram de seus familiares, e se vêem obrigados a honrá-los — lembrando que, antigamente, manter a honra era algo fundamental para as famílias, não só japonesas.

Bom, a história me tocou mais por causa de um evento recente, que foi mostrado pela mídia. A morte do ditador Muammar al-Gaddafi, ou Kadafi. Não sei se todos aqui lêem notícias, e acompanhou o drama que desenrolava na Líbia até metade do ano passado, 2011. O cara deixou o povo na miséria, matou muita gente inocente, e merecia mesmo morrer. O que eu não compreendi foi a falta de sensibilidade que o povo, não só lá, mas no mundo inteiro, mostrou. As pessoas fizeram festa para comemorar a morte de um ser humano (mesmo que alguns o chamasse de monstro), que tinha mãe, pai, filhos; uma família...

Eu não sou uma pessoa que chora com muita facilidade (talvez um pouco), mas confesso que uma lágrima caiu dos meus olhos. Como alguém pode ficar feliz por uma morte? Mesmo sendo a de uma criatura como ele foi! A impressão que eu tive foi de que os papéis se inverteram. Quem é o verdadeiro mostro da história? Ele, que fez todas aquelas atrocidades, ou nós que festejávamos a morte de um pai, um esposo, um filho de alguém? Um ser humano que tinha um passado, um homem que foi uma criança um dia — não sei bem por que, mas sempre faço essa relação homem/criança...

Volto a dizer: ele merecia morrer, em minha opinião. Podem me chamar de fresca, irracional ou o escambal, mas eu realmente não compreendi o que aconteceu no dia 20 de Outubro de 2011.

Desabafo à parte, voltando para o anime em questão, Basilisk não é nenhuma obra prima, mas cumpre muito bem o papel de mostrar que valores como a honra, numa guerra, perde completamente o sentido, principalmente quando não mais sabemos os motivos pelo qual o sangue é derramado. Alguns o consideram uma versão da história de Romeu e Julieta ninja, o que, para mim, faz todo o sentido. As personagens principais vivem no meio do ódio de suas famílias, e incertezas lhes são jogadas a todo tempo, testando o amor que um sente pelo outro. Subliminarmente, há um questionamento no ar, entre as personagens: por que eles têm de lutar a guerra de seus antepassados? Os ressentimentos de seus familiares nada têm a ver com eles...



O que me impressionou, também, foi a lealdade do autor aos sentimentos das personagens — algo que poucos autores fazem. Há uma “humanização” muito real nas figuras. Tão real que chega quase a ser surreal — já que, como eu comentei acima, muita gente, hoje em dia, perdeu algumas das características que nos classifica como seres humanos. E percebemos o que as personagens sentem não só através dos diálogos, como também pelas expressões, os olhares — todos muito bem retratados, no meu ponto de vista.

A única coisa que me incomodou um pouco, e pasmem!, foi a inclusão do ecchi em algumas cenas. Hehehe. Sim, sou chegada em histórias com conteúdo erótico, mas acho que nem sempre esse recurso é necessário. E nesse caso, acho que foi totalmente desnecessário. Até por que, se ainda hoje as japonesas são recatadas, naquela época, então, eram MUITO mais! Acho que eles falharam um pouquinho nessa parte, embora eu entenda que isso foi feito para chamar a atenção do público masculino. Afinal, há certo preconceito por parte dos meninos à histórias com romance.


Enfim, eu quis trazer a minha impressão sobre o anime, por que acho que ele vale à pena ser visto. Todo apreciador de animes com boas histórias deve assisti-lo. Além disso, qualquer história faz bem para a diversificação do nosso repertório — nos ajuda a ampliar nossos horizontes. Mas não esperem muitas reflexões sobre o que é a vida e qual o sentido dela, por que isso, realmente, não há ensinamentos filosóficos do gênero. Ele, basicamente, fala sobre o ódio e qual o sentido dele. 

Contudo, em termos mais técnicos, posso também dizer que a trilha sonora é muito boa (eu, pelo menos, adorei). E há bastante ação e violência para quem, assim como eu, gosta! ;) Inclusive, num dos episódios finais, até me assustei com a quantidade de violência... Talvez a quantidade de sangue tenha sido exagerada, mas uma guerra sem violência, não é guerra. De qualquer forma, em todos os episódios, eu me via obrigada a assistir o próximo! Não me arrependo de ter gastado meu tempo assistindo aos episódios.



Ah, e além do anime, a editora Panini está publicando o mangá aqui no Brasil! *_* Eu amei a arte, e pretendo comprá-lo em seguida! E como curiosidade, o Japão lançou, também, um live action chamado Shinobi — que seria, então, uma adaptação da obra — o qual eu não sei se vou assistir ou não. Eu já estou com uma lista enorme de filmes para ver! u.u Além disso, apesar de gostar, sim, de filmes japoneses, me sinto bastante satisfeita com o anime. 

(Capa do filme)

Agora a pergunta que não quer calar: eu escreveria uma fanfic de Basilisk?
No máximo, escreveria um novo final para a história. E escreveria um final com um hentai hardcore! *O*! *SPOILER* Afinal, a guria morreu sem nem beijar aquele cabeludo tesudo! T_T aihaiuahiahaihai.

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